Menino, 14 anos de idade, apresenta dor leve no joelho direito, mais frequente à noite. Refere um trauma leve no local há 03 meses. Nega febre, mas observa calor local. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, deambula sem alteração de marcha. O joelho encontra-se edemaciado sem rubor, sem dor a palpação de proeminências ósseas. Arco de movimento 0 a 110 ̊ de flexão. Testes de Appley e McMurray negativos. Exames complementares apresentam-se alterados: níveis séricos elevados de Fosfatase Alcalina e na radiografia do joelho, esclerose difusa na metáfise distal do fêmur.
Pegadinha central: trauma prévio não explica uma lesão óssea persistente; em adolescente com dor progressiva e alteração metafisária, pense em tumor.
Osteossarcoma: adolescente + metáfise + região do joelho.
Dor noturna, aumento de volume e imagem óssea agressiva exigem investigação oncológica mesmo sem sintomas sistêmicos.
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Contexto
Osteossarcoma é o tumor ósseo maligno primário clássico da adolescência e tem predileção pela metáfise de ossos longos ao redor do joelho, especialmente fêmur distal e tíbia proximal. O quadro típico é dor óssea progressiva, frequentemente pior à noite, associada a aumento de volume local. O NCI PDQ atualizado mantém essa distribuição anatômica como característica central da doença.
Neste caso, três elementos convergem para osteossarcoma: adolescente com dor e edema persistentes, lesão metafisária distal do fêmur e fosfatase alcalina elevada. O trauma leve ocorrido meses antes não explica a lesão e frequentemente apenas chama atenção para um sintoma já existente. Na radiografia, osteossarcoma pode ter componente osteoblástico ou misto, destruição cortical e reação periosteal agressiva; padrões como triângulo de Codman e aspecto em raios de sol são clássicos, mas não precisam estar presentes no enunciado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Osteomielite pode simular tumor ósseo, mas costuma ter contexto infeccioso, alterações inflamatórias e padrão de imagem compatível. A ausência de febre, o bom estado geral e a localização metafisária tumoral favorecem osteossarcoma.
B) Correta (gabarito). Adolescência, dor óssea, edema e lesão na metáfise distal do fêmur formam o padrão epidemiológico e anatômico clássico do osteossarcoma.
C) Incorreta. Lesão meniscal tende a causar sintomas mecânicos, como bloqueio, estalidos e dor em interlinha articular, e pode produzir testes de McMurray ou Apley positivos. Não causa lesão metafisária esclerótica nem elevação de fosfatase alcalina por atividade tumoral óssea.
D) Incorreta. Doença de Osgood-Schlatter causa dor e proeminência na tuberosidade anterior da tíbia, relacionada à tração do tendão patelar, e não lesão metafisária distal do fêmur.