Sepse e choque séptico

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Questão 15
UNIFESP · 2023

Homem, 60 anos de idade, é trazido ao PS por familiares com relato de falta de ar há 1 semana com piora nas últimas 24 horas. Exame físico: Escala de Coma de Glasgow = 13, pupilas isocóricas fotorreagentes, sem sinais neurológicos focais, ausculta cardíaca sem alterações, FC = 120 bpm, PA = 70/40mmHg, tempo de enchimento capilar = 5 segundos, ausculta respiratória com estertores grossos em base direita, FR = 30 irpm, SpO2 = 80%, exame abdominal sem alterações, membros inferiores sem alterações.

Qual é a conduta mais adequada para este paciente?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O paciente apresenta provável pneumonia com disfunção orgânica e choque: rebaixamento do sensório, taquicardia, hipotensão de 70/40 mmHg, enchimento capilar de 5 segundos, hipoxemia grave e estertores focais. Isso exige tratamento imediato como sepse com choque e insuficiência respiratória aguda. A Surviving Sepsis Campaign 2021 orienta que ressuscitação e tratamento comecem imediatamente, com coleta precoce de culturas, antimicrobianos adequados, cristaloides e suporte de oxigenação.

O SOFA é útil para caracterizar disfunção orgânica e prognóstico, mas não deve atrasar o tratamento. Com SpO2 de 80% e Glasgow 13, oxigênio por cateter nasal pode ser insuficiente; na prática, deve-se titular rapidamente o suporte, considerar dispositivo de maior oferta e avaliar via aérea e ventilação conforme resposta. Se a hipotensão persistir durante ou após a reposição volêmica, noradrenalina deve ser iniciada precocemente.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Bilirrubina, creatinina, plaquetas, gasometria e outros dados podem compor avaliação de disfunção orgânica, mas esperar o cálculo do SOFA antes de tratar seria erro. Sepse é emergência terapêutica.

B) Correta (gabarito). É a única alternativa que reúne pilares imediatos do tratamento do choque séptico de provável foco pulmonar: culturas, antibiótico de amplo espectro apropriado, expansão volêmica e suporte de oxigênio. Na vida real, a intensidade do suporte respiratório deve ser maior se o cateter nasal não corrigir a hipoxemia.

C) Incorreta. Tromboembolismo pulmonar pode causar hipoxemia, taquicardia e choque, mas o quadro subagudo com estertores focais e forte suspeita de infecção pulmonar torna pneumonia com sepse a hipótese principal. Anticoagulação empírica e angiotomografia não são a prioridade inicial diante dessa instabilidade.

D) Incorreta. Dobutamina e furosemida direcionam o raciocínio para baixo débito cardiogênico com congestão. Não há evidência apresentada de edema agudo cardiogênico. Ventilação não invasiva também exige cautela em choque profundo e rebaixamento do nível de consciência.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: não espere SOFA para começar a tratar sepse com choque.

  • Antibiótico, culturas sem atraso relevante, cristaloide e suporte respiratório devem ocorrer em paralelo.

  • SpO2 de 80% é hipoxemia grave; se cateter nasal não corrigir rapidamente, escale o suporte e reavalie necessidade de via aérea avançada.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Sepse e choque séptico” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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