A profissão médica reúne uma série de gratificações psicológicas, dentre elas o sentir-se competente, receber reconhecimento e gratidão. No decorrer da formação e da vida profissional, entretanto, o médico se defronta com dificuldades que podem não corresponder ao que é esperado como gratificação. O grau de idealização da profissão gera expectativas e, se não correspondidas, geram frustações repercutindo na sua saúde.
Pegadinha central: formação técnica e contato repetido com sofrimento não imunizam o médico contra adoecimento mental.
Em saúde do trabalhador, evite reduzir sofrimento a fragilidade individual; fatores organizacionais e institucionais também participam do risco.
O CFM e a ABP reforçaram em 2026 a necessidade de prevenção do burnout, enfrentamento do estigma e acesso a assistência em saúde mental.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A afirmação descreve a distância entre a idealização da profissão médica e as condições reais de formação e trabalho. Carga horária extensa, privação de sono, responsabilidade sobre sofrimento e morte, pressão por desempenho, conflitos de trabalho e dificuldade de conciliar vida profissional e pessoal podem contribuir para exaustão, ansiedade, depressão, uso problemático de substâncias e comportamento suicida. Esses desfechos não decorrem de uma única causa e não devem ser atribuídos apenas à “frustração”, mas a um conjunto de fatores individuais, ocupacionais e institucionais.
O tema permanece atual. Em 2026, Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria divulgaram material específico sobre saúde mental dos médicos. A pesquisa nacional citada nesse material, com 4.148 médicos brasileiros, encontrou relato de ideação suicida ao longo da vida em quase um terço dos participantes e associações com exaustão emocional e frustração profissional. A própria orientação atual destaca que a prevenção exige também responsabilidade institucional, com ambientes de trabalho mais seguros e acesso facilitado a cuidado especializado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Mesmo que determinados aspectos da satisfação profissional possam melhorar ao longo da carreira, isso não invalida a existência de sofrimento psíquico relevante entre médicos. Uma tendência média de satisfação não exclui grupos vulneráveis nem desfechos graves.
B) Correta (gabarito). A literatura e dados recentes brasileiros demonstram carga importante de sofrimento mental, exaustão e ideação suicida entre médicos. O fato de escolas e instituições discutirem saúde mental não elimina esses riscos.
C) Incorreta. A comparação simplista com a população geral não responde ao fenômeno ocupacional. Médicos apresentam exposições profissionais específicas e há desfechos, como burnout, exaustão e comportamento suicida, que exigem análise própria.
D) Incorreta. Formação médica pode desenvolver habilidades de enfrentamento, mas não torna as frustrações incapazes de afetar a saúde. A prevenção depende também de organização do trabalho, suporte institucional, redução do estigma e acesso ao cuidado.