Lactente, 18 meses de idade, portador de mielomeningocele, apresentou anafilaxia intraoperatória durante a sua terceira intervenção cirúrgica.
Pegadinha central: em mielomeningocele, pense em látex antes mesmo de procurar um fármaco anestésico culpado.
Prevenção ideal é ambiente sem látex desde os primeiros procedimentos, antes que ocorra sensibilização.
Após anafilaxia perioperatória, investigação alergológica deve considerar todos os agentes administrados e materiais utilizados.
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Contexto
Crianças com espinha bífida ou mielomeningocele têm risco particularmente alto de sensibilização ao látex, historicamente relacionado à exposição repetida desde muito cedo a luvas, cateteres, drenos e materiais cirúrgicos. O documento conjunto da Sociedade Brasileira de Anestesiologia e da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia destaca que, entre crianças submetidas a múltiplas cirurgias por mielomeningocele ou condições urológicas, o látex foi uma das principais causas de anafilaxia perioperatória.
A prevenção atual é evitar sensibilização desde o nascimento, utilizando materiais e dispositivos sem látex e ambiente cirúrgico seguro. Em paciente já sensibilizado, todo o percurso perioperatório deve ser planejado como latex-free. A associação “mielomeningocele + múltiplas cirurgias + anafilaxia intraoperatória” é uma pista clássica de prova.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Bloqueadores neuromusculares são causas importantes de anafilaxia perioperatória na população geral e sempre entram no diagnóstico diferencial. Porém, o fator de risco específico fornecido pelo enunciado é mielomeningocele com múltiplas exposições cirúrgicas, que aponta fortemente para látex.
B) Correta (gabarito). Pacientes com mielomeningocele apresentam alta prevalência de sensibilização ao látex devido a exposições precoces e repetidas, podendo evoluir com reação IgE-mediada grave durante procedimentos.
C) Incorreta. “Anestésico geral” não designa um único alérgeno. Reações perioperatórias precisam ser investigadas em relação a agentes específicos, como bloqueadores neuromusculares, antibióticos, látex, clorexidina e outros produtos utilizados.
D) Incorreta. Dipirona pode provocar reações de hipersensibilidade, mas o caso não informa sua administração nem apresenta um fator de risco específico para esse fármaco. A associação epidemiológica clássica é com látex.