Homem, 55 anos de idade, refere dispneia aos esforços de longa data, intensificada no último ano, com necessidade de descansar após andar cerca de 50 metros no plano. Tem tosse produtiva há 2 anos e sibilos eventuais. Procurou PS três vezes no último ano, sendo o último episódio há 2 meses, durante os quais foi medicado com nebulização e antibióticos. Está em uso de salbutamol spray, 02 jatos a cada 4 horas, com alívio parcial dos sintomas. Tem hipertensão arterial (em uso de losartana 50 mg/dia) e é tabagista de 60 anos-maço. Exames realizados: hemoglobina = 15,0 g/dL; leucócitos totais = 8500 céls/mm3 (350 eosinófilos/mm3); radiografia de tórax = hiperinsuflação pulmonar; espirometria = VEF1 pós-broncodilatador 35% do previsto.
Pegadinha central: não misture o grau espirométrico com o grupo clínico. VEF1 de 35% é GOLD 3.
Na referência GOLD 2022, muitos sintomas + alto risco de exacerbação = grupo D.
Atualização: GOLD 2026 usa A, B e E; eosinófilos ≥300 células/mcL fortalecem a indicação de ICS em paciente exacerbador e podem favorecer terapia tripla.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O diagnóstico é DPOC: tabagismo intenso, tosse produtiva crônica, sibilos, hiperinsuflação e limitação persistente ao fluxo aéreo. Pela classificação espirométrica usada no GOLD 2022, VEF1 pós-broncodilatador de 35% do previsto corresponde a GOLD 3, faixa de 30% a 49%. A necessidade de parar após cerca de 50 metros sugere dispneia importante, e três atendimentos por exacerbação no último ano caracterizam alto risco de exacerbações, o que no modelo de 2022 o coloca no grupo D.
A contagem de 350 eosinófilos/mm3 favorece benefício de corticoide inalatório para prevenção de exacerbações. A alternativa A oferece terapia tripla funcional com LABA + corticoide inalatório + LAMA. Há atualização relevante: desde o GOLD 2023, os antigos grupos C e D foram substituídos pelo grupo E. No GOLD 2026, um paciente com esse histórico seria descrito pela gravidade espirométrica e pelo grupo A, B ou E; em exacerbadores do grupo E com eosinófilos ≥300 células/mcL, terapia tripla pode ser considerada. Assim, o rótulo “3D” é histórico da referência exigida pela questão, não a nomenclatura atual.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). No GOLD 2022, VEF1 de 35% define grau 3 e sintomas intensos com exacerbações frequentes definem grupo D. A associação formoterol/budesonida mais tiotrópio entrega LABA + ICS + LAMA, coerente com perfil exacerbador e eosinófilos de 350/mm3.
B) Incorreta. A combinação LABA + LAMA é broncodilatação dupla adequada em muitos pacientes, mas o rótulo grupo B não corresponde ao histórico de exacerbações da questão. Além disso, o valor de eosinófilos favorece benefício de ICS quando se opta por prevenção intensificada de exacerbações.
C) Incorreta. O grupo clínico D está coerente com a versão 2022, mas GOLD 4 exige VEF1 abaixo de 30% do previsto. Com 35%, o grau correto é GOLD 3.
D) Incorreta. GOLD 2 corresponde a VEF1 entre 50% e 79% do previsto, incompatível com 35%. Além disso, LAMA isolado não corresponde ao perfil intensamente sintomático e exacerbador apresentado.