DPOC

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Questão 14
UNIFESP · 2023

Homem, 55 anos de idade, refere dispneia aos esforços de longa data, intensificada no último ano, com necessidade de descansar após andar cerca de 50 metros no plano. Tem tosse produtiva há 2 anos e sibilos eventuais. Procurou PS três vezes no último ano, sendo o último episódio há 2 meses, durante os quais foi medicado com nebulização e antibióticos. Está em uso de salbutamol spray, 02 jatos a cada 4 horas, com alívio parcial dos sintomas. Tem hipertensão arterial (em uso de losartana 50 mg/dia) e é tabagista de 60 anos-maço. Exames realizados: hemoglobina = 15,0 g/dL; leucócitos totais = 8500 céls/mm3 (350 eosinófilos/mm3); radiografia de tórax = hiperinsuflação pulmonar; espirometria = VEF1 pós-broncodilatador 35% do previsto.

Considerando o diagnóstico mais provável e as diretrizes GOLD 2022 (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease), qual é o estágio atual da doença e a terapia farmacológica mais indicada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O diagnóstico é DPOC: tabagismo intenso, tosse produtiva crônica, sibilos, hiperinsuflação e limitação persistente ao fluxo aéreo. Pela classificação espirométrica usada no GOLD 2022, VEF1 pós-broncodilatador de 35% do previsto corresponde a GOLD 3, faixa de 30% a 49%. A necessidade de parar após cerca de 50 metros sugere dispneia importante, e três atendimentos por exacerbação no último ano caracterizam alto risco de exacerbações, o que no modelo de 2022 o coloca no grupo D.

A contagem de 350 eosinófilos/mm3 favorece benefício de corticoide inalatório para prevenção de exacerbações. A alternativa A oferece terapia tripla funcional com LABA + corticoide inalatório + LAMA. Há atualização relevante: desde o GOLD 2023, os antigos grupos C e D foram substituídos pelo grupo E. No GOLD 2026, um paciente com esse histórico seria descrito pela gravidade espirométrica e pelo grupo A, B ou E; em exacerbadores do grupo E com eosinófilos ≥300 células/mcL, terapia tripla pode ser considerada. Assim, o rótulo “3D” é histórico da referência exigida pela questão, não a nomenclatura atual.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). No GOLD 2022, VEF1 de 35% define grau 3 e sintomas intensos com exacerbações frequentes definem grupo D. A associação formoterol/budesonida mais tiotrópio entrega LABA + ICS + LAMA, coerente com perfil exacerbador e eosinófilos de 350/mm3.

B) Incorreta. A combinação LABA + LAMA é broncodilatação dupla adequada em muitos pacientes, mas o rótulo grupo B não corresponde ao histórico de exacerbações da questão. Além disso, o valor de eosinófilos favorece benefício de ICS quando se opta por prevenção intensificada de exacerbações.

C) Incorreta. O grupo clínico D está coerente com a versão 2022, mas GOLD 4 exige VEF1 abaixo de 30% do previsto. Com 35%, o grau correto é GOLD 3.

D) Incorreta. GOLD 2 corresponde a VEF1 entre 50% e 79% do previsto, incompatível com 35%. Além disso, LAMA isolado não corresponde ao perfil intensamente sintomático e exacerbador apresentado.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: não misture o grau espirométrico com o grupo clínico. VEF1 de 35% é GOLD 3.

  • Na referência GOLD 2022, muitos sintomas + alto risco de exacerbação = grupo D.

  • Atualização: GOLD 2026 usa A, B e E; eosinófilos ≥300 células/mcL fortalecem a indicação de ICS em paciente exacerbador e podem favorecer terapia tripla.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “DPOC” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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