Sangramentos da segunda metade da gestação

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 49
UNIFESP · 2023

Paciente com 33 semanas de gestação, quartigesta com 3 cesáreas anteriores, previamente assintomática, procura o pronto socorro queixando-se de sangramento vaginal moderado. Sabidamente, possui placenta de inserção baixa centro-total com sinais de acretismo em região ístmica uterina. Não apresenta dinâmica uterina, feto ativo. Ao exame especular, conteúdo sanguinolento residual, sem sangramento ativo.

Qual é a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A combinação de placenta prévia centro-total, três cesáreas anteriores e sinais de espectro da placenta acreta representa risco muito elevado de hemorragia obstétrica. Como o episódio de sangramento cessou, a paciente está sem contrações e o feto está ativo, o princípio cobrado pela questão é evitar uma operação de emergência naquele momento, internar, completar corticoterapia e organizar parto em centro terciário com equipe multidisciplinar, hemocomponentes e suporte intensivo disponíveis.

Há uma atualização importante em relação ao momento do parto. A FEBRASGO, em publicação de 2021 sobre espectro da placenta acreta, e o ACOG recomendam para paciente estável com suspeita de acretismo programação do parto aproximadamente entre 34 semanas e 35 semanas e 6 dias. Sangramento persistente ou recorrente importante, trabalho de parto, rotura de membranas, comprometimento materno ou fetal podem exigir antecipação. Portanto, a expressão da alternativa B que propõe cesárea apenas após 36 semanas reflete a referência histórica da prova e está mais tardia do que recomendações contemporâneas. O gabarito é mantido porque B é a única opção que acerta a estratégia expectante hospitalar com corticoterapia e planejamento cirúrgico.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Sem hemorragia ativa, instabilidade, sofrimento fetal ou trabalho de parto, não há motivo para abandonar de imediato o benefício da preparação materno-fetal e do planejamento multidisciplinar. Cirurgia não programada aumenta risco hemorrágico no acretismo.

B) Correta (gabarito). Internação, corticoterapia e programação de cesárea são os pilares corretos diante de sangramento estabilizado e acretismo conhecido. O ponto que mudou é a idade gestacional: atualmente o parto costuma ser planejado antes de 36 semanas, em torno de 34 a 35 semanas e 6 dias nos casos estáveis.

C) Incorreta. Completar 48 horas de corticoterapia não cria obrigação de interromper imediatamente a gestação se mãe e feto permanecem estáveis. O momento deve ser planejado conforme idade gestacional, recorrência de sangramento e gravidade do espectro de acretismo.

D) Incorreta. Placenta prévia total com forte suspeita de acretismo e episódio de sangramento aos 33 semanas não é cenário apropriado para simples vigilância domiciliar. Há risco de hemorragia súbita e necessidade de acesso imediato a recursos cirúrgicos e transfusionais.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: sangramento que parou não significa alta quando existe placenta prévia total com acretismo.

  • Atualização: em espectro da placenta acreta estável, o planejamento contemporâneo costuma ocorrer por volta de 34 a 35 semanas e 6 dias, e não rotineiramente após 36 semanas.

  • Planejamento multidisciplinar e disponibilidade de sangue reduzem morbidade em comparação com parto não programado.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Sangramentos da segunda metade da gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →