Abdome agudo: abordagem diagnóstica

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Questão 57
UNIFESP · 2023

Gestante de 10 semanas procura o pronto socorro queixando-se de dor abdominal há 2 dias, periumbilical com irradiação para região lombar e fossa ilíaca direita, associada à inapetência. Há 4 horas, iniciou quadro de febre (38oC), vômitos e parada de eliminação de gases e fezes. Nega alteração do hábito urinário, disúria ou polaciúria. Ao ultrassom, gestação tópica, feto vivo, sem sinais de descolamento ovular, presença de discreta quantidade de líquido livre em região anexial direita. Hemograma com 18.800 leucócitos, desvio até metamielócitos. O Hospital não dispõe de ressonância nuclear magnética e não é possível transferência hospitalar neste momento.

Qual é a conduta recomendada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A evolução da dor periumbilical para fossa ilíaca direita, inapetência, febre, vômitos, leucocitose com desvio importante e parada de eliminação de gases e fezes é altamente sugestiva de apendicite aguda complicada com íleo associado. A pequena quantidade de líquido livre reforça a existência de processo inflamatório intraperitoneal. Em gestação, atraso diagnóstico aumenta risco de perfuração, sepse, perda fetal e parto prematuro.

A ACOG orienta que cirurgia clinicamente necessária nunca seja negada ou adiada por causa da gestação. A diretriz SAGES de 2024 sugere apendicectomia em vez de tratamento não operatório na apendicite durante a gestação e favorece laparoscopia quando o fundo uterino está abaixo do umbigo, como ocorre com 10 semanas. A ressonância é ótima opção de imagem quando há dúvida diagnóstica após ultrassom, mas sua indisponibilidade não pode transformar um abdome agudo cirúrgico em observação prolongada.

Tomografia também não é absolutamente proibida na gestação e pode ser utilizada quando necessária para esclarecer um diagnóstico ainda incerto. Neste caso, porém, o conjunto clínico é grave e a questão descreve sinais de complicação, tornando a cirurgia a melhor resposta entre as alternativas.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Tomografia pode ser realizada na gestação quando o benefício diagnóstico supera o risco, especialmente se ultrassom e ressonância não resolvem uma dúvida real. Aqui, sinais de abdome agudo complicado tornam inadequado atrasar a abordagem cirúrgica apenas para obter confirmação radiológica adicional.

B) Incorreta. Antibiótico isolado e observação por 24 horas não são a estratégia preferencial para apendicite na gestação, especialmente diante de febre, leucocitose intensa, vômitos, parada de trânsito e líquido livre.

C) Incorreta. Enteroclisma é contraindicado em provável obstrução ou processo inflamatório cirúrgico e poderia agravar o quadro. Analgesia e antiemético são medidas de suporte, não tratamento definitivo.

D) Correta (gabarito). A paciente necessita abordagem cirúrgica urgente. Com 10 semanas, a laparoscopia é apropriada e oferece diagnóstico e tratamento no mesmo procedimento sem que a gravidez seja motivo para atraso.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: gravidez não protege o apêndice nem impede cirurgia urgente.

  • Se a cirurgia é clinicamente necessária, não deve ser adiada por causa do trimestre gestacional.

  • Atualização SAGES 2024: apendicectomia é preferida ao tratamento apenas com antibióticos na gestante com apendicite.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Abdome agudo: abordagem diagnóstica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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