Gestante de 34 semanas apresenta sorologia (colhida há 2 semanas) positiva para Citomegalovírus, com IgM e IgG positivos. Refere quadro gripal há cerca de 1 mês, com febre baixa, mialgia e cefaleia. A sorologia no início do prénatal, realizada no 2° trimestre, apresentava IgG positivo e IgM negativo.
IgM positiva não equivale a primoinfecção, e sorologia materna não confirma infecção fetal.
IgG previamente positiva favorece infecção passada, mas não confere proteção absoluta contra transmissão congênita.
Valaciclovir passou a ser recomendado em alguns consensos para primoinfecção precoce; não generalize essa indicação para toda IgM positiva.
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Contexto
A interpretação depende da sorologia anterior: a gestante já tinha IgG positiva e IgM negativa antes do episódio gripal. Portanto, a IgM agora positiva não demonstra primoinfecção recente. Pode decorrer de reativação, reinfecção, reatividade inespecífica ou variação do ensaio. A persistência de IgM também limita esse marcador, embora, neste caso, tenha havido resultado negativo anterior. O quadro gripal é inespecífico e não confirma CMV.
A demonstração mais segura de primoinfecção é a soroconversão de IgG previamente negativa. Quando IgG e IgM estão positivas sem sorologia anterior, a avidez de IgG pode ajudar a estimar a época da infecção, sobretudo no início da gestação; no terceiro trimestre, sua interpretação não permite datar com segurança uma infecção do início da gravidez. IgG prévia não elimina o risco de infecção congênita, mas impede interpretar automaticamente a IgM como primeira infecção.
Sem alterações fetais descritas, a melhor opção é acompanhamento clínico e obstétrico, com revisão dos exames e avaliação ultrassonográfica conforme a suspeita. O consenso ECCI de 2024 recomenda valaciclovir em alta dose, 8 g/dia, para primoinfecção periconcepcional ou no primeiro trimestre, sob supervisão especializada. Essa atualização não se aplica automaticamente a uma possível infecção não primária tardia. A PCR no líquido amniótico investiga infecção fetal quando indicada; o ECCI admite coleta a partir de 17 semanas, respeitando pelo menos 8 semanas após a infecção materna.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A PCR do líquido amniótico pode confirmar infecção fetal em investigação dirigida, mas IgM positiva isoladamente, com IgG prévia, não torna a amniocentese a próxima conduta obrigatória. O intervalo de cerca de quatro semanas desde os sintomas também é insuficiente para o critério temporal citado.
B) Correta (gabarito). Preserva o seguimento materno-fetal sem atribuir a uma IgM isolada um diagnóstico que ela não estabelece. Observação significa acompanhamento e reavaliação, com investigação adicional se surgirem achados sugestivos.
C) Incorreta. Não há indicação rotineira de valaciclovir para o padrão sorológico tardio apresentado. O benefício preventivo demonstrado e incorporado ao ECCI refere-se principalmente à primoinfecção precoce.
D) Incorreta. A ressonância fetal complementa a avaliação, especialmente do sistema nervoso central, em fetos infectados ou com suspeita dirigida. Não esclarece, como exame inicial, essa mudança sorológica materna.