Menina, 1 ano e 4 meses de idade, é acompanhada na UBS desde o nascimento. Sua mãe tem 28 anos, G1 P1 A0. Antecedentes: nasceu de parto normal, com 35 semanas e 2 dias e peso de 2400 g, sem intercorrências; alta com a mãe no 3o dia de vida. Nega internações prévias. Apresentou resfriados após iniciar frequência à creche aos 9 meses, sem complicações. A mãe está preocupada pois acha que a criança fala poucas palavras, comparando com sua sobrinha da mesma idade. A criança fala cerca de 20 palavras e se comunica apontando para objetos; entende alguns comandos; usa a colher, tira sapato com ajuda, não engatinhou e anda sem apoio há 1 mês. Assiste desenhos no celular quase todos os dias, por cerca de uma hora ou mais.
Não engatinhar e falar menos que outra criança não diagnosticam atraso; avalie marcos, comunicação e trajetória.
No prematuro, considere idade corrigida até cerca de dois anos.
Menores de dois anos: evitar telas e ampliar interação com pessoas.
Regressão de habilidades é sinal de alerta em qualquer idade.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
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Contexto
A criança apresenta desenvolvimento compatível com a idade: utiliza aproximadamente 20 palavras, compreende comandos, aponta para se comunicar, usa colher e já caminha sem apoio. A comparação com uma prima não estabelece atraso, porque existe variação normal na sequência e no ritmo das aquisições. A vigilância deve integrar linguagem, motricidade, cognição, interação social e evolução longitudinal.
Além disso, nasceu com 35 semanas e 2 dias. Até aproximadamente dois anos, a avaliação do desenvolvimento do prematuro deve considerar a idade corrigida: idade cronológica menos o tempo que faltou para 40 semanas. Aqui, subtraem-se 4 semanas e 5 dias; aos 16 meses cronológicos, a idade corrigida é próxima de 15 meses. Não ter engatinhado, isoladamente, não caracteriza atraso quando há progressão motora e marcha independente.
O manual Menos Telas, Mais Saúde, da Sociedade Brasileira de Pediatria, atualização de 2024, recomenda evitar telas antes dos dois anos, inclusive exposição passiva. Uma hora diária de desenhos desloca oportunidades de conversa, brincadeira, exploração e sono. A orientação é substituir esse tempo por leitura compartilhada, canto, brincadeiras com objetos e atividades ao ar livre supervisionadas, com participação ativa do cuidador. Desenvolvimento normal dispensa encaminhamento por atraso neste momento, mas mantém a vigilância de rotina; perda de habilidades, ausência de comunicação intencional ou preocupação persistente justificam reavaliação.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Reconhece os marcos adequados e orienta estímulos por interação real, leitura, canto e brincadeira, além de excluir o uso habitual do celular nessa idade.
B) Incorreta. A avaliação do desenvolvimento está correta, assim como favorecer convivência e brincadeiras. O erro é autorizar meia hora diária de telas: a recomendação da SBP para menores de dois anos é evitá-las.
C) Incorreta. Não há evidência de atraso motor ou de linguagem. Avaliação audiológica seria pertinente diante de atraso de fala, suspeita de perda auditiva ou outros fatores de risco, mas o repertório descrito não sustenta essa indicação por atraso.
D) Incorreta. Ler e excluir telas são orientações adequadas, porém o diagnóstico de atraso de linguagem e o encaminhamento decorrente dele não encontram respaldo nos dados apresentados.