Secundigesta, 28 anos de idade, parto anterior no termo. Primeira consulta em UBS com diagnóstico de gravidez tópica de 8 semanas. Realizado teste rápido para sífilis, com resultado positivo. No cartão pré-natal da gestação anterior encontra-se anotado o diagnóstico de sífilis e tratamento feito com Penicilina Benzatina, 7.200.000 UI. Feito seguimento sorológico, há 6 meses, com VDRL de 1:2.
Teste rápido e FTA-Abs podem continuar positivos após cura; VDRL quantitativo acompanha a evolução.
De 1:2 para 1:8 são duas diluições, ou aumento de 4 vezes, e não apenas uma variação pequena.
Cicatriz exige contexto: tratamento adequado documentado, evolução compatível e ausência de reinfecção; título baixo sozinho não basta.
Sem tratamento prévio confiável ou com suspeita de infecção atual, não atrasar penicilina indicada na gestação aguardando confirmação adicional.
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Contexto
O teste rápido para sífilis é treponêmico: identifica anticorpos específicos contra o Treponema pallidum e frequentemente permanece reagente por muitos anos ou por toda a vida após tratamento. Portanto, teste rápido positivo não demonstra, sozinho, infecção ativa em pessoa previamente tratada. A paciente tem registro de penicilina benzatina totalizando 7,2 milhões de UI e VDRL de 1:2 no seguimento, o que torna possível uma cicatriz sorológica.
Segundo o PCDT do Ministério da Saúde para sífilis e prevenção da transmissão vertical, a avaliação deve integrar tratamento documentado, evolução dos títulos, exame clínico e possibilidade de nova exposição. O próximo passo é solicitar VDRL quantitativo atual e compará-lo ao anterior. Título baixo isolado não prova cicatriz: é preciso verificar adequação do tratamento, resposta e ausência de reinfecção. O caso foi construído para distinguir seguimento de infecção tratada de diagnóstico novo na gestação.
A regra de tratar gestante com um teste reagente é crucial quando há infecção não tratada ou dúvida relevante sobre tratamento prévio; ela não significa retratar toda mulher com anticorpo treponêmico persistente. Se houver nova lesão, exposição recente ou inconsistência documental, a conduta muda. Após tratamento de sífilis na gestação, o acompanhamento quantitativo é mensal; quando já existe cicatriz documentada, mantém-se a testagem do pré-natal para detectar reinfecção, preferindo teste não treponêmico.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O VDRL quantitativo permite comparar a situação atual com o título anterior de 1:2 e avaliar estabilidade ou elevação significativa. É o exame útil para orientar se o padrão continua compatível com cicatriz ou se há indicação de investigar e tratar nova infecção.
B) Incorreta. Interpretando a dose grafada como 2,4 milhões de UI, ela corresponde ao tratamento de sífilis recente, mas o teste rápido persistente não demonstra um novo episódio nem seu estágio. Não há justificativa para uma dose empírica apenas por esse resultado, considerando o tratamento prévio documentado.
C) Incorreta. O total de 7,2 milhões de UI, em 3 doses semanais de 2,4 milhões, é usado na sífilis tardia ou de duração ignorada. Não se repete automaticamente esse esquema quando há possibilidade de cicatriz sorológica após tratamento adequado; reinfecção ou tratamento inadequado mudariam a avaliação.
D) Incorreta. FTA-Abs também é treponêmico e pode permanecer positivo após cura. Repete a mesma limitação do teste rápido e não quantifica a evolução necessária para avaliar resposta ou reinfecção.