Mulher, 43 anos de idade, IMC 46 kg/m2 , diabética, hipertensa, no quinto pós-operatório de Bypass gástrico em Y-de-Roux, apresenta inapetência e dor abdominal no epigástrio que piora à palpação. Exame físico: rebaixamento de nível de consciência, desidratada ++, FC: 110 bpm, PA: 100x60 mm Hg, FR: 22 irpm, SpO2 94% em ar ambiente.
Pegadinha: pós-bariátrica com taquicardia inexplicada e dor abdominal é fístula até prova em contrário.
Obesidade pode mascarar irritação peritoneal; não espere abdome rígido para agir.
TEP é diferencial obrigatório, mas o predomínio de dor abdominal localizada favorece complicação intra-abdominal.
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Contexto
Nos primeiros dias após bypass gástrico em Y-de-Roux, taquicardia persistente associada a dor abdominal deve ser considerada sinal de alerta para fístula ou deiscência gastrointestinal até exclusão. A complicação pode ocorrer na gastrojejunostomia, na linha de grampeamento do pouch ou em outras anastomoses.
O extravasamento de conteúdo gastrointestinal provoca inflamação peritoneal e pode evoluir rapidamente para sepse. Em pacientes com obesidade, os sinais abdominais clássicos podem ser discretos, de modo que taquicardia, alteração do estado mental, oligúria, hipoxemia e deterioração clínica podem preceder peritonite exuberante.
Nesta paciente, o quinto dia pós-operatório, a dor epigástrica à palpação, FC de 110 bpm, desidratação e rebaixamento do nível de consciência compõem um quadro compatível com complicação séptica abdominal. A avaliação costuma envolver ressuscitação, antibiótico de amplo espectro e investigação urgente com imagem e/ou exploração conforme estabilidade e suspeita clínica.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Deiscência ou fístula do pouch/anastomose é a complicação que melhor explica taquicardia, dor epigástrica e deterioração sistêmica no pós-operatório precoce de bypass.
B) Incorreta. Tromboembolismo pulmonar é importante diagnóstico diferencial no pós-operatório bariátrico, mas costuma se manifestar com dispneia, hipoxemia desproporcional, dor torácica, síncope ou sinais de sobrecarga de ventrículo direito. Não explica tão bem a dor epigástrica localizada à palpação.
C) Incorreta. Colecistite alitiásica ocorre principalmente em pacientes criticamente enfermos e tende a causar dor em hipocôndrio direito e sinais inflamatórios. Não é a complicação mais típica diante desse padrão temporal e topográfico.
D) Incorreta. Colite por Clostridioides difficile exige quadro predominantemente diarreico, geralmente associado a exposição a antibióticos ou internação. Diarreia não foi descrita.