Mulher, 65 anos de idade, deu entrada em sepses no PS referindo dor pélvica há 3 dias. Exame ginecológico: conteúdo vaginal purulento e fétido; colo amolecido, útero aumentado para 15 cm e doloroso à palpação. US pélvico: útero 260 ml, cavidade endometrial preenchida por conteúdo sólido-cístico com fluxo ao Doppler e interposição gasosa de permeio, sem plano de clivagem com o miométrio, eco endometrial irregular de 15 mm; ovários diminuídos de tamanho, hidrosalpinge bilateral de moderadas proporções.
Pegadinha central: piometra em pós-menopausa não deve ser tratada como infecção isolada; procure causa obstrutiva, inclusive câncer.
Fluxo ao Doppler e perda do plano com o miométrio favorecem tecido tumoral invasivo em vez de simples conteúdo intracavitário.
No cenário de sepse, diagnóstico etiológico e controle do foco devem ocorrer em paralelo à ressuscitação e antibioticoterapia.
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Contexto
Em mulher de 65 anos, pós-menopáusica, com sepse, dor pélvica, secreção vaginal purulenta e fétida e cavidade uterina preenchida por conteúdo com gás, o componente infeccioso é uma piometra, isto é, acúmulo de material purulento na cavidade endometrial por obstrução da drenagem cervical ou endometrial.
O achado que muda o raciocínio é a presença de endométrio irregular e espessado, conteúdo sólido-cístico com vascularização ao Doppler e ausência de plano de clivagem com o miométrio. Em uma mulher pós-menopáusica, esse padrão levanta forte suspeita de neoplasia maligna endometrial com invasão miometrial. Piometra nessa faixa etária exige investigação de malignidade ginecológica, embora também possa ocorrer por causas benignas. No cenário séptico, estabilização, antibioticoterapia e drenagem são urgentes, mas o comando pergunta o diagnóstico de base mais provável.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A principal alteração estrutural está centrada na cavidade endometrial e no miométrio adjacente. Hidrossalpinge bilateral não transforma as tubas no sítio primário mais provável da neoplasia.
B) Incorreta. Abscesso tubo-ovariano costuma formar massa anexial complexa envolvendo tuba e ovário. Aqui os ovários estão diminuídos e a coleção principal está dentro do útero, compatível com piometra.
C) Incorreta. Mioma submucoso pode causar sangramento e ocupar a cavidade, mas costuma ser uma massa bem delimitada de origem miometrial. O padrão irregular, vascularizado e sem plano de clivagem, associado a piometra em pós-menopausa, é mais suspeito para malignidade endometrial.
D) Correta (gabarito). Neoplasia maligna do endométrio explica a massa endometrial irregular e invasiva, enquanto a obstrução da drenagem uterina favorece acúmulo purulento e gasoso, caracterizando piometra.