Adolescente, 16 anos de idade, vai a UBS para orientação anticoncepcional. Refere ter tido 5 parceiros sexuais. Refere ciclos menstruais abundantes, com duração de 9 dias e cólica menstrual nos 4 primeiros dias. Última menstruação iniciou há 5 dias. Na Unidade encontram-se disponíveis os seguintes métodos: pílulas combinadas, implante subcutâneo, injetável mensal e DIU de cobre.
A pegadinha é adiar contracepção até o próximo ciclo quando a gestação já pode ser razoavelmente excluída.
DIU de cobre pode aumentar fluxo e cólica; implante pode causar sangramento irregular, portanto não prometer amenorreia.
Implante após os primeiros 5 dias do início menstrual: barreira ou abstinência por 7 dias; preservativo segue indicado para IST.
Adolescência, nuliparidade e múltiplos parceiros não são contraindicações automáticas a LARC.
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Contexto
A escolha reúne três problemas: evitar gestação não planejada, reduzir dependência da adesão e considerar sangramento menstrual abundante com dismenorreia. O implante de etonogestrel é um contraceptivo reversível de longa duração, com falha inferior a 1% ao ano, que atua principalmente por inibição da ovulação e espessamento do muco cervical. Adolescência e nuliparidade não impedem sua utilização, desde que haja aconselhamento e escolha informada.
As recomendações do CDC de 2024 permitem início imediato do implante quando se está razoavelmente certo de que não há gestação. Não é necessário aguardar o próximo ciclo. A menstruação iniciada há 5 dias favorece a exclusão de gestação, se tiver padrão habitual. Para cobertura contraceptiva, é preciso contar precisamente os dias: inserção nos primeiros 5 dias desde o início do sangramento dispensa método adicional por esse motivo; depois dessa janela, indicam-se 7 dias de abstinência ou barreira. Preservativos continuam recomendados para prevenção de IST em qualquer dessas situações.
O implante não garante redução do sangramento: escapes, irregularidade e sangramento prolongado são possíveis. Ele é a melhor opção apresentada pela eficácia e pelo início imediato, não por ser tratamento universal da menorragia. O DIU com levonorgestrel seria especialmente útil para sangramento abundante, mas não está disponível no enunciado. Menstruação de 9 dias também merece investigação clínica de anemia e, conforme a história, de coagulopatia. Número de parceiros orienta prevenção e rastreamento de IST, não uma contraindicação automática a DIU.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A inserção imediata do DIU de cobre pode ser possível, mas o método pode agravar o sangramento e a dismenorreia já importantes. A razão para não preferi-lo é o perfil menstrual, não a idade ou o número de parceiros.
B) Incorreta. A pílula combinada pode ser adequada e melhorar dismenorreia e fluxo, porém a espera pelo próximo ciclo é desnecessária quando a gestação foi razoavelmente excluída. Além disso, sua eficácia no uso habitual depende da tomada regular.
C) Incorreta. O injetável mensal também pode ser iniciado sem aguardar outro ciclo, respeitando elegibilidade e necessidade de proteção adicional. A alternativa introduz atraso evitável e mantém dependência de comparecimento periódico.
D) Correta (gabarito). Oferece contracepção muito eficaz, de longa duração e com início imediato, evitando a espera proposta nas alternativas hormonais. É necessário orientar o padrão imprevisível de sangramento e manter preservativos para prevenção de IST.