Mulher, 41 anos de idade, apresenta constipação intestinal há 3 semanas e fadiga há 2 semanas. Ela afirma que há 3 meses apresentou palpitações e diarreia por algumas semanas, com melhora espontânea. Antecedente pessoal: diabetes mellitus tipo 1 desde os 20 anos. Exame físico: afebril; FC = 48 bpm; PA = 124/88 mmHg; IMC = 22 kg/m2; tireoide indolor à palpação, com volume normal, sem outras alterações; pele fria e seca e cabelos ralos no couro cabeludo; edema não depressível +/4+ em ambas as extremidades inferiores.
Pegadinha central: fase de tireotoxicose seguida de hipotireoidismo pode ocorrer por liberação destrutiva de hormônio, sem hiperprodução.
Diabetes tipo 1 aumenta a chance de doença tireoidiana autoimune associada.
Hashimoto: anti-TPO positivo, TSH elevado na fase hipo e ultrassom frequentemente heterogêneo e hipoecogênico.
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Contexto
A sequência clínica sugere tireoidite autoimune com fase inicial de tireotoxicose destrutiva seguida de hipotireoidismo. Há três meses a paciente teve palpitações e diarreia autolimitadas; agora apresenta bradicardia, constipação, fadiga, pele fria e seca, rarefação capilar e edema não depressível, compatíveis com hipotireoidismo primário. A tireoide indolor afasta tireoidite subaguda dolorosa.
O antecedente de diabetes mellitus tipo 1 aumenta a probabilidade de outra doença autoimune, particularmente tireoidite de Hashimoto. Nessa condição, anticorpos anti-tireoperoxidase são frequentemente positivos. Durante uma fase de tireotoxicose destrutiva, a captação de radioiodo tende a ser baixa porque há liberação de hormônio pré-formado, e não aumento de síntese. Na fase hipotireoidiana, espera-se TSH elevado e T4 livre reduzido.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Na fase atual de hipotireoidismo primário, o TSH tende a estar aumentado por perda do feedback negativo dos hormônios tireoidianos.
B) Incorreta. Captação difusa aumentada é característica de doença de Graves, na qual há síntese hormonal aumentada por anticorpos estimuladores do receptor de TSH. Na tireoidite destrutiva, a captação tende a ser baixa.
C) Correta (gabarito). Anti-TPO positivo é um achado típico de tireoidite autoimune de Hashimoto e combina com a associação a diabetes tipo 1 e a evolução para hipotireoidismo.
D) Incorreta. A ultrassonografia da tireoidite de Hashimoto costuma mostrar parênquima hipoecogênico e heterogêneo, não um padrão homogêneo normal.