Síndromes genéticas e erros inatos

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Questão 88
UNIFESP · 2024

Lactente, 2 meses de idade, assintomático, nascido pequeno para a idade gestacional, sem intercorrências na gestação, Apgar 09/10 e está em aleitamento artificial desde o nascimento. Teve resultado positivo para fenilcetonúria na triagem neonatal em amostra coletada com 24 horas de vida, que não se confirmou em outras duas amostras coletadas posteriormente.

Qual é o fator que justifica a discordância entre os resultados?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A triagem neonatal para fenilcetonúria mede fenilalanina, não identifica diretamente uma mutação. Um resultado elevado exige confirmação por dosagem quantitativa e investigação da causa. Na fenilcetonúria clássica, o defeito da fenilalanina-hidroxilase reduz a conversão de fenilalanina em tirosina; sob ingestão proteica habitual, a elevação tende a persistir sem tratamento. Duas amostras posteriores normais tornam inadequado concluir que a criança tem essa deficiência enzimática persistente.

A fenilalanina materna elevada atravessa a placenta e pode produzir hiperfenilalaninemia transitória no recém-nascido. Depois do nascimento, cessa a oferta transplacentária; se o bebê tiver metabolismo próprio normal, elimina o excesso e as dosagens seguintes normalizam. O roteiro do American College of Medical Genetics and Genomics para triagem com fenilalanina elevada inclui fenilcetonúria materna entre os diagnósticos diferenciais.

A exposição intrauterina à hiperfenilalaninemia é teratogênica e pode causar restrição de crescimento, microcefalia, cardiopatia e alterações do neurodesenvolvimento, mesmo que a criança não tenha herdado fenilcetonúria. Nascer pequeno para a idade gestacional é, portanto, uma pista de possível exposição fetal, não uma causa autônoma que explique o resultado. A ausência de intercorrências reconhecidas na gestação não demonstra que a fenilalanina materna fosse normal; a hipótese deve ser confirmada com avaliação da mãe.

O Ministério da Saúde orienta coleta após pelo menos 48 horas de vida para reduzir falsos-negativos relacionados à ingestão proteica ainda insuficiente, dentro da janela recomendada para o teste do pezinho. Coleta muito precoce favorece perder a detecção da doença, não explica por si só positivo inicial seguido de negativação. Aqui, a coleta com 24 horas permite reconhecer a influência do excesso materno antes de sua depuração pelo bebê. Leite artificial habitual não causa, isoladamente, esse padrão de elevação transitória.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A coleta com 24 horas é precoce para a rotina do rastreamento, mas o problema clássico é o falso-negativo por tempo insuficiente de ingestão de proteína e acúmulo de fenilalanina. Não é a melhor explicação para positividade transitória com duas amostras posteriores normais.

B) Incorreta. Fórmula infantil contém fenilalanina, assim como o leite humano. A oferta proteica ajuda a revelar um defeito metabólico persistente, mas não explica sua normalização espontânea se a mesma alimentação continua.

C) Correta (gabarito). A transferência placentária de fenilalanina elevada pode alterar a primeira amostra. A interrupção dessa transferência e a metabolização normal pelo lactente explicam a normalização posterior; o baixo peso para a idade gestacional reforça essa possibilidade.

D) Incorreta. Restrição de crescimento não é, isoladamente, a causa específica da hiperfenilalaninemia transitória descrita. Pode ser consequência da exposição à fenilalanina materna elevada e, nesse caso, funciona como pista a favor de C.

Bizu MedBoard
  • Positivo muito precoce que normaliza depois sugere investigar influência materna; não confunda com o falso-negativo da coleta precoce.

  • Triagem mede fenilalanina: resultado alterado não equivale a diagnóstico definitivo de fenilcetonúria.

  • Fenilcetonúria materna pode lesar o feto mesmo quando ele não tem a doença genética.

  • Restrição de crescimento pode ser consequência da exposição intrauterina, não a explicação metabólica primária.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Síndromes genéticas e erros inatos” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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