Secundigesta de 37 semanas, 40 anos de idade, parto cesáreo há 8 anos, vem encaminhada ao pronto atendimento por pressão arterial de 140 x 95 mmHg, assintomática. Níveis pressóricos sempre normais durante a gestação atual. Exame físico: AU: 34 cm; BCF: 148 bpm; DU ausente. Toque vaginal: colo grosso, posterior, pérvio para 2,0 cm, cefálico. Extremidades: edema +/ 4+ membros inferiores. Exames laboratoriais: Hb = 11,6 g/dL, Htc = 33,7 %; leucograma = 11700 glóbulos brancos; plaquetas = 224.000/mm3; TGO/TGP = 14/12 U/L; creatinina = 0,6 mg/dL. Urina I = prot +.
Aos 37 semanas, hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia sem gravidade indicam resolução; isso não significa cesárea obrigatória.
Proteína 1+ na fita sugere investigar, mas não confirma sozinha pré-eclâmpsia.
Cesárea anterior: avaliar possibilidade de parto vaginal e método de indução; evitar misoprostol a termo.
Edema periférico não é critério diagnóstico nem sinal isolado de gravidade.
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Contexto
A questão descreve hipertensão surgida após 20 semanas, já no termo, sem sinais clínicos ou laboratoriais de gravidade. O raciocínio esperado é doença hipertensiva gestacional com indicação de resolução a partir de 37 semanas. O ACOG, no Practice Bulletin 222, recomenda o parto nessa idade gestacional para hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, em vez de prolongamento expectante.
Há uma limitação diagnóstica no enunciado: uma única medida de 140 × 95 mmHg e proteína “+” na fita não bastam para confirmar rigorosamente pré-eclâmpsia. Em geral, confirma-se PA de pelo menos 140/90 mmHg em duas medidas com intervalo de 4 horas e quantifica-se a proteinúria. A fita de 1+ tem elevada possibilidade de falso positivo; pelo critério do ACOG, usa-se 2+ apenas quando métodos quantitativos não estão disponíveis. A questão pressupõe o diagnóstico hipertensivo, e a distinção final entre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia sem gravidade não muda a indicação de parto às 37 semanas.
A via de parto é uma decisão obstétrica separada. Uma cesárea anterior não obriga nova cesárea se a cicatriz uterina for compatível com tentativa de parto vaginal e houver estrutura para intervenção urgente. O colo grosso e posterior sugere necessidade de amadurecimento, mas não permite calcular Bishop completo sem todos os componentes. Em útero com cicatriz de cesárea, pode-se considerar método mecânico e ocitocina criteriosa; misoprostol não deve ser usado para indução a termo nessa situação. “Imediata” significa programar a resolução após avaliação e estabilização, não dispensar confirmação diagnóstica ou planejamento seguro.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não há sofrimento fetal, emergência hipertensiva ou contraindicação ao parto vaginal informada. A cesárea prévia exige avaliar o tipo de cicatriz e os riscos, mas não determina cesárea de repetição automática.
B) Correta (gabarito). Assumida a doença hipertensiva proposta pela questão, chegar a 37 semanas indica resolução. A indução permite buscar o parto vaginal, com método apropriado à cicatriz uterina e monitorização materno-fetal.
C) Incorreta. Reavaliar pressão e exames faz parte da assistência, sobretudo pela limitação dos dados fornecidos, mas observação expectante isolada não é a estratégia final para doença hipertensiva confirmada às 37 semanas.
D) Incorreta. Anti-hipertensivo e seguimento ambulatorial não substituem a indicação de parto no termo. A PA apresentada também não corresponde à faixa grave que exige redução pressórica urgente.