Mulher, 25 anos de idade, apresenta fraqueza muscular ao subir escadas e ao fim do dia, há dois meses. Percebeu visão dupla quando trabalha em frente ao computador por longos períodos.
Anti-MuSK pode estar correto isoladamente; a associação com biópsia muscular torna a alternativa inadequada.
Fatigabilidade com diplopia ou ptose sugere miastenia: pesquisar anti-AChR e avaliar o timo.
Sorologia negativa não exclui doença; a neurofisiologia pode confirmar a alteração da transmissão.
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Contexto
A fraqueza que piora com atividade repetida e ao fim do dia, associada a diplopia após esforço visual, caracteriza fatigabilidade. A hipótese é miastenia gravis, doença autoimune da junção neuromuscular, predominantemente pós-sináptica. A redução da eficácia da transmissão diminui a margem de segurança para gerar contração sustentada. A sensibilidade e as pupilas costumam permanecer normais, assim como os reflexos osteotendíneos.
O PCDT de Miastenia Gravis do Ministério da Saúde, de 2022, prioriza a pesquisa de anticorpos antirreceptor de acetilcolina e recomenda investigação radiológica do mediastino para avaliar o timo. São objetivos diferentes: a sorologia apoia a confirmação autoimune; a tomografia torácica procura timoma, associação que modifica o manejo.
Fraqueza proximal isolada também ocorre nas miopatias, mas o caráter flutuante e o comprometimento ocular tornam a junção neuromuscular a localização mais provável. Biópsia muscular não costuma esclarecer esse defeito funcional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A ressonância de crânio pode investigar diplopia de origem central quando há sinais localizatórios, mas não é o exame inicial para fatigabilidade típica. A pesquisa de anticorpo antiglicoproteína, como formulada, não corresponde ao marcador de escolha da miastenia.
B) Correta (gabarito). Reúne o teste sorológico apropriado para a hipótese e a investigação de timoma. A presença de fraqueza proximal além da diplopia sugere envolvimento generalizado, mesmo que os sintomas oculares sejam a pista mais evidente.
C) Incorreta. Anti-NMDAR investiga encefalite autoimune, habitualmente com alterações comportamentais, crises epilépticas, distúrbios do movimento ou disautonomia. Imagem pélvica pode procurar teratoma nesse contexto, ausente aqui.
D) Incorreta. Anti-MuSK é pertinente à investigação de miastenia, mas a biópsia muscular não é exame inicial de rotina. A alternativa mistura um anticorpo adequado a um procedimento dirigido principalmente a doenças do músculo.