Homem, 30 anos de idade, apresenta erupção cutânea dolorosa e pruriginosa que piorou desde que ele a notou pela primeira vez, 1 dia atrás. Exame físico: erupção macular eritematosa com várias vesículas que não cruzam a linha média sobre a região frontal esquerda e área periorbital. A terapia com aciclovir é iniciada.
Zóster em jovem pede oferta de teste para HIV, mas não significa diagnóstico de aids.
Fronte e região periorbital indicam V1: lembrar do risco ocular e da avaliação oftalmológica.
Diagnóstico típico é clínico; se houver dúvida etiológica, preferir PCR da lesão.
Ausência de lesão na ponta do nariz não exclui complicações oculares.
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Contexto
Vesículas dolorosas sobre base eritematosa, unilaterais e restritas a um dermátomo, sugerem reativação do vírus varicela-zóster, que permanece latente em gânglios sensitivos após a infecção primária. O acometimento frontal e periorbital corresponde ao ramo oftálmico do trigêmeo, V1, caracterizando herpes-zóster oftálmico. A distribuição que respeita a linha média diferencia o quadro de erupções difusas e reforça o diagnóstico clínico.
O controle do vírus depende da imunidade celular. Embora também ocorra em imunocompetentes, zóster em adulto jovem deve motivar avaliação de fatores de imunossupressão. As recomendações da OMS para manifestações cutâneas associadas ao HIV orientam oferecer testagem a pessoas com zóster cujo estado sorológico seja desconhecido. A testagem para HIV é a melhor medida adicional entre as alternativas; um episódio localizado não permite presumir que o paciente já tenha HIV ou aids.
O aciclovir deve ser iniciado precocemente, idealmente nas primeiras 72 horas, como já ocorreu. Há ainda uma providência clinicamente relevante que não aparece nas opções: avaliação oftalmológica precoce pelo risco de ceratite e uveíte, com urgência diante de olho vermelho, dor ocular, fotofobia ou alteração visual. Vesículas na ponta do nariz, o sinal de Hutchinson, aumentam a suspeita de envolvimento do ramo nasociliar, mas sua ausência não exclui doença ocular.
Conforme as orientações laboratoriais do CDC, quando a apresentação é atípica e se precisa confirmar a etiologia, a PCR de material da lesão é o método preferido. O teste de Tzanck mostra alterações citopáticas herpéticas, porém não distingue adequadamente varicela-zóster de herpes simples. Corticoide sistêmico não é complemento obrigatório do antiviral nem estratégia rotineira para prevenir neuralgia pós-herpética; eventual uso exige indicação específica e avaliação de riscos.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A testagem pode revelar uma condição que favorece reativação do vírus e modifica o seguimento. É especialmente pertinente aos 30 anos e não deve atrasar o antiviral nem a avaliação ocular indicada pelo território acometido.
B) Incorreta. Não há indicação de acrescentar corticoide oral indiscriminadamente. Ele não substitui antiviral, não previne de forma estabelecida a neuralgia pós-herpética e exige cautela se houver imunossupressão; complicações inflamatórias oculares devem ser tratadas sob orientação especializada.
C) Incorreta. A morfologia e a distribuição são típicas, de modo que biópsia não é necessária para definir a conduta inicial. Ela ficaria reservada a lesões atípicas com diagnóstico diferencial ainda não esclarecido.
D) Incorreta. O Tzanck não diferencia os principais herpesvírus e acrescenta pouco ao quadro clínico clássico. Se fosse necessária confirmação etiológica, a PCR do material da vesícula teria maior utilidade.