Uma nova terapia com eficácia de 70% na redução da mortalidade foi introduzida para o tratamento de uma doença crônica, sem cura, com prevalência estimada de 10% na população.
Maior prevalência pode ser sinal de melhor tratamento quando a doença continua sem cura.
Sobrevida maior aumenta a duração; prevenção primária reduz casos novos.
Não multiplique a prevalência de 10% pelos 70% de eficácia: são medidas de fenômenos diferentes.
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Contexto
Prevalência é a proporção de pessoas que vivem com a doença; incidência mede o aparecimento de casos novos. Em uma doença crônica sem cura, os casos deixam o conjunto de doentes principalmente pela morte. Se o tratamento reduz a mortalidade, essas pessoas permanecem vivas com o diagnóstico por mais tempo. Mantidos os demais fatores, aumenta o número de casos existentes e, portanto, a prevalência.
A relação didática prevalência ≈ incidência × duração média pressupõe condições relativamente estáveis e é uma aproximação, particularmente quando a prevalência é baixa. Aqui, interessa a direção do efeito: a intervenção prolonga a duração sem eliminar a doença. Uma prevalência inicial de 10% e redução de mortalidade de 70% não permitem calcular a nova prevalência, porque faltam incidência, mortalidade basal, tempo de observação e dinâmica populacional.
O benefício direto é a redução de mortes, e o efeito epidemiológico subsequente é o acúmulo de pessoas vivendo com a condição. Esse aumento da prevalência pode representar sucesso terapêutico, sem piora na produção de casos novos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A prevalência tenderia a cair se houvesse cura, prevenção suficiente de novos casos ou menor duração. Prolongar a vida sem curar produz o efeito contrário.
B) Correta (gabarito). A terapia diminui a saída de pessoas do conjunto de casos pela morte e prolonga o tempo vivido com a doença, elevando a prevalência ao longo do acompanhamento.
C) Incorreta. Não há informação de que a terapia aumente o surgimento da doença em pessoas anteriormente sem ela. Sobrevida dos casos existentes não é incidência.
D) Incorreta. A diminuição da mortalidade dos doentes não demonstra prevenção de casos novos. Uma terapia poderia também reduzir transmissão em certas doenças, mas esse efeito não foi informado.