Sangramento uterino anormal

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Questão 54
UNIFESP · 2024

Mulher, 66 anos de idade, hipertensa, em acompanhamento com a geriatria, refere 2 episódios de sangramento vaginal de pequena intensidade há 1 mês. Menopausa aos 50 anos de idade, não faz terapia hormonal. Exame físico sem alterações. Ultrassom pélvico revelou eco endometrial de 3 mm.

A conduta mais adequada é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Sangramento ocorrido após pelo menos 12 meses de amenorreia menopausal exige avaliar origem vaginal, cervical e endometrial. Atrofia é causa frequente, mas excluir neoplasia é parte da investigação. A ultrassonografia transvaginal avalia o eco endometrial; a validade do corte depende de visualização adequada de todo o endométrio, não apenas de uma medida isolada.

O gabarito aplica o algoritmo clássico: em um episódio inicial de sangramento que cessou, endométrio homogêneo, bem visualizado e com espessura de até 4 mm permite observação com orientação de retorno. A recomendação anterior do ACOG, de 2018, atribuía a esse corte valor preditivo negativo superior a 99% para câncer endometrial no contexto apropriado. Os 3 mm do enunciado explicam a escolha D, mas não identificam por si só a origem do sangramento.

Atualização relevante: em abril de 2026, o ACOG passou a recomendar ultrassonografia transvaginal associada à amostragem endometrial na avaliação inicial da maioria das pacientes com sangramento pós-menopausa. Portanto, preserva-se D como resposta histórica da questão, mas não como orientação universal atual. Além disso, os dois episódios descritos merecem atenção: se forem interpretados como recorrência, e não como partes de uma mesma ocorrência autolimitada, já justificariam investigação histológica mesmo no algoritmo anterior. Nenhuma alternativa oferece biópsia, o que reforça a necessidade de explicitar o limite do gabarito.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Estrogênio sistêmico não é tratamento empírico de sangramento pós-menopausa sem causa esclarecida. Em mulher com útero, seu uso sem proteção progestagênica estimula o endométrio, e a via transdérmica não elimina essa necessidade.

B) Incorreta. Estrogênio vaginal pode tratar síndrome geniturinária da menopausa e sangramento por atrofia documentada após avaliação apropriada. A questão não descreve secura, dispareunia, atrofia ao exame ou fonte vaginal estabelecida que fundamente essa prescrição.

C) Incorreta. Ablação endometrial não é a abordagem para investigar ou tratar empiricamente sangramento pós-menopausa. Ela pode dificultar avaliações posteriores e não substitui a exclusão de hiperplasia ou câncer.

D) Correta (gabarito). É a resposta esperada pelo critério tradicional de endométrio fino, de 3 mm, presumindo sangramento inicial já resolvido e exame adequado. Deve ser entendida com as ressalvas de recorrência e da atualização do ACOG de 2026, que ampliou a indicação de amostragem endometrial.

Bizu MedBoard
  • Endométrio fino não encerra a investigação de sangramento persistente ou recorrente.

  • O corte clássico é até 4 mm; o gabarito D usa esse algoritmo e pressupõe resolução do episódio.

  • ACOG 2026: ultrassom e amostragem endometrial na avaliação inicial da maioria das pacientes com sangramento pós-menopausa.

  • Não prescrever estrogênio nem realizar ablação para um sangramento cuja causa não foi esclarecida.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Sangramento uterino anormal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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