Menino, 2 anos de idade, é levado ao PS pela mãe devido a acidente doméstico com água fervente.
Borda nítida com linha de nível sugere imersão; profundidade variável e escorrimento favorecem derramamento.
Simetria, padrão em luva ou bota e história incompatível aumentam a suspeita.
Nenhum achado isolado confirma ou exclui abuso.
Suspeita de violência infantil já exige medidas de proteção e comunicação, sem aguardar comprovação.
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Contexto
A morfologia da escaldadura ajuda a reconstruir como a criança entrou em contato com o líquido quente. Em um derramamento, o líquido escorre, esfria e atinge a pele por tempos diferentes, favorecendo lesões irregulares e de profundidade variável. Na imersão mantida, uma região permanece exposta à água por tempo semelhante, podendo surgir profundidade uniforme e limite superior abrupto, com bordas bem definidas.
A diretriz NICE CG89 sobre suspeita de maus-tratos inclui queimaduras com limites nitidamente demarcados entre os achados sugestivos de imersão forçada. A suspeita aumenta quando há distribuição bilateral simétrica, padrão em luva ou bota, acometimento de nádegas e períneo, áreas poupadas nas pregas ou explicação incompatível com o desenvolvimento da criança.
Esses padrões são indícios, não prova isolada da intenção: mecanismos acidentais e infligidos podem produzir sobreposição de achados. É preciso confrontar a história com a extensão da queimadura, a capacidade motora da criança, o tempo até a procura por atendimento e a presença de outras lesões. No Brasil, a suspeita de violência contra criança exige proteção e comunicação aos órgãos competentes, sem esperar certeza diagnóstica. O art. 13 do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê comunicação ao Conselho Tutelar, além do fluxo de notificação em saúde.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Profundidade não uniforme é mais compatível com contato desigual durante derramamento, em que variam temperatura e tempo de exposição. Não exclui violência, mas não é o sinal mais sugestivo entre as opções.
B) Correta (gabarito). Bordas definidas sugerem um limite de imersão e exposição sustentada ao líquido quente. Esse padrão, sobretudo se simétrico e uniforme, deve levantar suspeita de queimadura infligida.
C) Incorreta. A face pode ser atingida quando a criança puxa um recipiente e derrama líquido quente sobre a cabeça e o tronco. A localização isolada não distingue acidente de abuso.
D) Incorreta. Respingos podem ocorrer quando líquido quente é derramado ou projetado. São compatíveis com acidente e não têm a mesma força sugestiva de uma linha de imersão nítida, embora também não excluam agressão.