Trauma abdominal

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Questão 15
UNIFESP · 2024

Homem, 45 anos de idade, vítima de queda de telhado (6 metros) há 1 hora, dá entrada na sala de emergência de um hospital especializado em trauma. Apresentava índice de choque de 1,2 na entrada, mantido em 0,7 após infusão de 500 ml de cristalóide e 1 concentrado de hemácias. Exame físico: abdome pouco distendido, doloroso no hipocôndrio esquerdo, com líquido livre no espaço hepatorrenal. Tomografia de abdome com contraste intravenoso: pequena quantidade de líquido livre em pelve e hipocôndrios, associada à laceração esplênica de 2 cm no polo inferior, sem sinais de extravasamento ativo de contraste, fístula artériovenosa ou pseudoaneurisma.

Qual é a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O paciente sofreu trauma abdominal fechado, teve resposta à ressuscitação e a tomografia mostra laceração esplênica de 2 cm, sem extravasamento ativo, pseudoaneurisma ou fístula arteriovenosa. Em paciente que se mantém hemodinamicamente estável, o princípio moderno é preservar o baço por tratamento não operatório sempre que possível.

Pela classificação AAST, a profundidade da laceração e eventual comprometimento vascular determinam o grau. Uma laceração de 2 cm, sem lesão vascular descrita, situa-se no espectro de baixo grau. O WSES Consensus 2022 reforça que lesões esplênicas de baixo grau em pacientes estáveis podem ser tratadas com observação, avaliações seriadas de sinais vitais e hemoglobina e disponibilidade imediata de intervenção se houver deterioração.

Angioembolização é particularmente indicada quando há blush arterial, pseudoaneurisma, fístula ou outras lesões vasculares e também tem papel em lesões de maior grau mesmo sem blush, conforme o risco. A ausência desses achados neste caso reduz a necessidade de embolização imediata.

A alternativa fala em observação em UTI. O local exato de monitorização depende do grau da lesão, estabilidade e protocolo institucional; pacientes de baixo grau frequentemente podem ser acompanhados em unidade não intensiva. Ainda assim, entre as alternativas, observação representa corretamente o tratamento não operatório indicado e deve ser mantida como gabarito.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Não há blush, pseudoaneurisma ou fístula. Embolização não é obrigatória em lesão de baixo grau estável sem evidência vascular de sangramento.

B) Correta (gabarito). O paciente respondeu à ressuscitação e não há sangramento arterial ativo na tomografia, portanto a conduta é tratamento não operatório com monitorização e reavaliação seriada. A necessidade de UTI, especificamente, pode variar conforme protocolo e evolução.

C) Incorreta. Esplenectomia total é reservada principalmente para instabilidade persistente, falha do tratamento não operatório ou lesão hemorrágica não controlável por estratégias menos invasivas.

D) Incorreta. Esplenectomia parcial não oferece vantagem sobre observação em uma lesão pequena e estável e ainda acrescenta risco operatório.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha: ter líquido livre e ter recebido sangue não obrigam laparotomia se o paciente se estabiliza e a tomografia não mostra sangramento ativo.

  • Trauma esplênico estável favorece preservação do baço e tratamento não operatório.

  • Blush, pseudoaneurisma e fístula são achados que aumentam a indicação de angioembolização.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Trauma abdominal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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