Em um determinado município, no ano de 2021, a população estimada era de 100.000 homens e 100.000 mulheres. Nesse ano ocorreram 1000 óbitos entre os homens (310 por doenças do aparelho circulatório, DAC) e 700 óbitos entre mulheres (260 por DAC).
Óbitos no denominador medem proporção de mortes; população no denominador permite avaliar mortalidade.
Mulheres: maior proporção de DAC entre as mortes, mas menor coeficiente específico por DAC.
Com populações iguais, mais óbitos pela causa implicam maior coeficiente específico; ajuste por idade exige dados adicionais.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A pegadinha é o denominador. Mortalidade proporcional por uma causa usa todos os óbitos como denominador e descreve a composição das mortes. O coeficiente de mortalidade específico por causa usa a população exposta ao risco e permite comparar a frequência de mortes pela causa entre os grupos no período.
As mulheres têm maior participação das DAC entre seus óbitos, mas menor mortalidade por DAC na população. Isso acontece porque o total de mortes femininas é menor: a participação relativa de uma causa pode aumentar mesmo quando o número de mortes por essa causa é inferior.
Como as populações são iguais, os homens apresentam o maior coeficiente específico por DAC: 310 versus 260 por 100 mil habitantes do respectivo sexo. A razão entre os coeficientes é 310 / 260 ≈ 1,19, cerca de 19% maior entre homens. É uma comparação populacional bruta; sem distribuição etária, não se conclui que o sexo masculino seja causa independente do maior risco nem se faz comparação ajustada por idade.
O enunciado usa 'risco' na acepção epidemiológica aplicada ao coeficiente anual. Já a mortalidade proporcional responde a outra pergunta: dentre as pessoas que morreram, qual fração morreu por DAC?
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O cálculo proporcional feminino é realmente maior, cerca de 37,1%, mas não mede risco de morrer na população. A conclusão mistura dois indicadores com denominadores diferentes.
B) Incorreta. A proporção masculina de 31% é menor, porém o coeficiente específico masculino é maior. Menor participação de DAC no total de mortes não significa menor mortalidade por DAC.
C) Incorreta. As mulheres apresentam menor coeficiente específico, 260 por 100 mil. A primeira parte da frase é compatível com os dados, mas a justificativa afirma o oposto do cálculo correto.
D) Correta (gabarito). Usa o indicador adequado: 310 mortes por DAC por 100 mil homens, contra 260 por 100 mil mulheres. A comparação sustenta maior mortalidade específica bruta masculina naquele município e ano.