Diabetes mellitus: diagnóstico e tratamento

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Questão 65
UNIFESP · 2024

Mulher, 82 anos de idade, tem diagnóstico de diabetes, hipertensão arterial, hipotiroidismo e artrose de joelhos. Filha refere lapsos de memória eventuais. Faz uso de levotiroxina (75 mcg/ dia), losartana (100 mg/dia), hidroclorotiazida (25 mg/dia), gliclazida (60 mg/dia) e insulina NPH (20 UI pela manhã e 16 UI ao deitar). Ganhou 2 kg desde a última consulta. Trouxe controles de PA nos limites da normalidade. Exames laboratoriais: TSH = 5,4 μUI/mL, glicemia de jejum = 84 mg/dL e HbA1c = 5,9%.

Qual é a conduta mais apropriada e sua justificativa?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O problema é o tratamento glicêmico excessivamente intensivo com medicamentos capazes de causar hipoglicemia. Aos 82 anos, com múltiplas doenças e possíveis dificuldades cognitivas, HbA1c de 5,9% em uso concomitante de gliclazida e NPH exige revisar a segurança do esquema. A glicemia de 84 mg/dL não é hipoglicemia documentada, mas uma medida isolada normal não exclui quedas noturnas ou em outros horários.

A ADA, nos Standards of Care in Diabetes de 2026, recomenda individualizar metas e reduzir ou simplificar tratamentos com insulina ou sulfonilureias quando o risco de dano supera o benefício. As referências gerais são:

Neste caso, cabe reavaliar principalmente a necessidade da sulfonilureia e ajustar ou simplificar a NPH com base no perfil glicêmico, na alimentação e no apoio da cuidadora. Não há dados para definir uma redução fixa de unidades. Hipoglicemia pode produzir confusão e quedas e passar despercebida em idosos.

TSH de 5,4 μUI/mL é elevação discreta, cuja interpretação depende da idade, do T4 livre e do contexto clínico. Ganho de 2 kg e lapsos de memória são inespecíficos. Aumentar levotiroxina automaticamente pode provocar excesso de reposição, com risco de arritmia e perda óssea.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A HbA1c não deve ser interpretada isoladamente como sucesso terapêutico. A combinação de valor baixo, idade avançada e dois tratamentos hipoglicemiantes favorece desintensificação.

B) Incorreta. O TSH discretamente elevado não justifica aumento imediato sem avaliar T4 livre, adesão, forma de administração e meta apropriada à idade. O ganho de peso não comprova reposição insuficiente.

C) Incorreta. Lapsos de memória exigem investigação, mas não demonstram causalidade tireoidiana. Aumentar a dose sem confirmação pode causar iatrogenia e deixa sem resposta o risco mais evidente.

D) Correta (gabarito). Reduz a exposição a hipoglicemia diante de controle muito estreito e maior vulnerabilidade. O ajuste deve ser acompanhado por monitorização para manter glicemias seguras, sem induzir hiperglicemia sintomática.

Bizu MedBoard
  • HbA1c de 5,9% com insulina e sulfonilureia em idosa pode representar excesso de tratamento.

  • 84 mg/dL não comprova hipoglicemia, mas não exclui episódios em outros horários.

  • Desintensificar é adequar a terapia à segurança, funcionalidade e expectativa de benefício.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Diabetes mellitus: diagnóstico e tratamento” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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