Puérpera no 2° dia pós-parto vaginal, apresenta dificuldade de deambular por intensa tontura associada a palpitação e falta de ar. No prontuário, há relato de retenção placentária, com necessidade de extração manual da placenta. Exame físico geral: REG, descorada 3+/4+, hidratada, taquipneica, pulso de 120 bpm, PA 95x70 mmHg. Abdome: útero contraído 2cm abaixo da cicatriz umbilical, indolor. OGE: presença de edema importante dos grandes lábios, sutura perineal de bom aspecto. Loquiação fisiológica. Extremidades: edema 2+/4+ membros inferiores.
Loquiação normal no segundo dia não exclui anemia provocada por hemorragia durante o parto.
Palidez intensa com tontura, taquicardia e dispneia favorece anemia sintomática, mas precisa de hemograma e avaliação circulatória.
Útero doloroso com febre favorece endometrite; sangramento persistente com subinvolução sugere restos.
Dispneia puerperal não deve ser atribuída automaticamente à anemia se a evolução sugerir tromboembolismo ou outra complicação.
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Contexto
Palidez intensa, tontura ao deambular, palpitação, dispneia e taquicardia após parto com retenção placentária sugerem anemia pós-parto sintomática por perda sanguínea. A retenção placentária e a extração manual aumentam a suspeita de perda obstétrica relevante, mesmo sem quantificação registrada. A redução de hemoglobina diminui o transporte de oxigênio; o organismo tenta compensar aumentando débito cardíaco e ventilação, o que explica taquicardia e falta de ar.
O fato de a loquiação estar fisiológica agora não desfaz uma hemorragia ocorrida no parto. O útero contraído e indolor torna atonia atual, retenção sintomática de tecido e infecção uterina menos prováveis. A confirmação é feita com hemograma, interpretado junto à volemia e à evolução: na perda aguda, a hemoglobina inicial pode não refletir toda a magnitude da hemorragia antes do reequilíbrio dos líquidos.
Não há hemoglobina informada para classificar a gravidade ou decidir automaticamente uma transfusão. As recomendações obstétricas do RCOG orientam considerar sintomas, estabilidade e sangramento em curso, além do valor laboratorial. A repercussão clínica descrita exige avaliação imediata, e não apenas prescrição empírica de ferro. O edema importante de grandes lábios também obriga a examinar a possibilidade de hematoma ou outra perda oculta se houver dor, assimetria, aumento de volume ou queda de hemoglobina; edema isolado não confirma hematoma.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O puerpério é fator de risco para tromboembolismo, e ausência de dor torácica ou de hipoxemia relatada não o exclui. Entretanto, palidez 3+/4+ associada a antecedente obstétrico hemorrágico explica melhor o conjunto como anemia. Dispneia desproporcional ou evolução inadequada exigiria investigação adicional.
B) Incorreta. Extração manual da placenta aumenta risco infeccioso, mas faltam febre, sensibilidade uterina e alterações sugestivas da loquiação. O antecedente isolado não supera o padrão clínico de anemia.
C) Incorreta. Retenção placentária prévia não prova que ainda existam restos. Útero contraído, indolor e loquiação fisiológica tornam essa a causa atual menos provável, embora sangramento anormal posterior pudesse justificar investigação.
D) Correta (gabarito). Integra palidez marcante, sintomas por redução do transporte de oxigênio e risco de perda sanguínea no parto. O hemograma confirma a suspeita e ajuda a orientar reposição de ferro ou transfusão conforme repercussão e evolução.