Mulher, 34 anos de idade, queixa-se de dor à movimentação do olho esquerdo e escotoma na visão central do mesmo olho, há 5 dias. Portadora de hipertensão arterial sistêmica, nega vacinação ou infecção recentes. Exame: acuidade visual de 20/80 no olho esquerdo, discromatopsia e defeito pupilar aferente relativo, sem edema de papila.
Pegadinha central: neurite óptica retrobulbar pode ter fundo de olho normal.
Dor ao mover o olho mais discromatopsia mais defeito pupilar aferente relativo é tríade muito sugestiva.
Ressonância de encéfalo e órbitas pesquisa lesões desmielinizantes e ajuda a estimar risco de esclerose múltipla.
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Contexto
Dor à movimentação ocular, perda visual subaguda unilateral, escotoma central, discromatopsia e defeito pupilar aferente relativo em adulta jovem são características clássicas de neurite óptica. A ausência de edema de papila sugere a forma retrobulbar, lembrada pela máxima de que o paciente não enxerga e o examinador inicialmente não vê alteração no disco óptico.
A ressonância magnética de encéfalo e órbitas com contraste é o exame de imagem de escolha porque confirma inflamação do nervo óptico, exclui diagnósticos alternativos e, sobretudo, pesquisa lesões desmielinizantes associadas a risco de esclerose múltipla. Corticoide intravenoso em alta dose acelera a recuperação visual, embora não modifique de forma relevante a acuidade visual final em neurite óptica típica. Prednisona oral em dose convencional isolada não é recomendada pelo maior risco de recorrência observado nos estudos clássicos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Tomografia é pouco sensível para doença desmielinizante e prednisona oral convencional isolada não é o esquema preferido para neurite óptica típica.
B) Correta (gabarito). Pulsoterapia com metilprednisolona é apropriada quando se opta por acelerar a recuperação em déficit visual significativo, e a ressonância é o exame central para investigação de desmielinização.
C) Incorreta. Observação pode ser aceitável em alguns casos típicos leves porque existe recuperação espontânea frequente, mas esta paciente apresenta acuidade de 20/80 e a alternativa ignora a necessidade de ressonância para estratificar doença desmielinizante.
D) Incorreta. Arterite de células gigantes ocorre tipicamente após os 50 anos, frequentemente com cefaleia, claudicação mandibular, sintomas sistêmicos e neuropatia óptica isquêmica. Aos 34 anos, com dor ao movimento ocular e discromatopsia, o quadro é de neurite óptica.