Homem, 72 anos de idade, apresenta tosse produtiva, febre não aferida e sensação de cansaço há 5 dias. Exame físico: FR = 38 irpm, SpO2 = 82% e fala entrecortada. Após 30 minutos de ventilação mecânica não invasiva, a SpO2 = 87%, sem melhora do padrão respiratório, e opta-se por realizar intubação orotraqueal.
Pegadinha central: volume corrente protetor é calculado pelo peso corporal predito, não pelo peso real.
Regra de prova: cerca de 6 mL/kg de peso predito e pressão de platô limitada.
FiO2 pode começar em 100% após intubação de paciente criticamente hipóxico, mas deve ser titulada para baixo assim que possível.
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Contexto
O paciente tem insuficiência respiratória hipoxêmica grave, com SpO2 de 82%, taquipneia intensa e falha de ventilação não invasiva, justificando intubação. Após a intubação, o objetivo inicial é garantir oxigenação imediata e adotar ventilação protetora. Em pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo ou risco de lesão pulmonar, recomenda-se volume corrente em torno de 6 mL/kg de peso corporal predito, com limitação da pressão de platô.
A questão fornece 70 kg como referência e operacionaliza 6 mL/kg, chegando a 420 mL. Na prática, o cálculo do volume corrente deve usar peso corporal predito a partir da altura e do sexo, não o peso real ou simplesmente estimado. Diante de hipoxemia tão grave, FiO2 de 100% é aceitável imediatamente após a intubação, com redução rápida conforme a saturação e a gasometria permitirem para evitar hiperóxia prolongada. PEEP inicial de 5 cmH2O pode ser ponto de partida, mas frequentemente necessita titulação para valores maiores conforme gravidade e resposta.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É a única alternativa que combina modo controlado, volume corrente protetor de aproximadamente 6 mL/kg segundo o peso fornecido e FiO2 inicial de 100% diante de hipoxemia crítica. A frequência respiratória de 30 irpm pode ser ajustada posteriormente conforme pH, PaCO2, mecânica respiratória e ocorrência de auto-PEEP.
B) Incorreta. Volume corrente de 630 mL equivale a cerca de 9 mL/kg do peso informado, acima da estratégia protetora, e FiO2 de 40% é insuficiente como ajuste inicial em alguém com SpO2 persistentemente abaixo de 90%.
C) Incorreta. Pressão de suporte é um modo espontâneo que exige esforço respiratório adequado do paciente. Não é a escolha inicial após intubação por falência respiratória grave, quando se deseja controle ventilatório.
D) Incorreta. Repete o problema do modo espontâneo e associa FiO2 de apenas 40%, inadequada para a hipoxemia extrema apresentada.