Menino, 13 anos de idade, nascido com peso e comprimento adequados, sem doença crônica ou uso de medicação, foi encaminhado ao ambulatório por déficit de crescimento. Na avaliação apresenta estatura entre -1,0 e -2,0 DP e estatura alvo entre - 1,0 e 0,0 DP. A idade óssea é de 11 anos e o desenvolvimento puberal avaliado pelos critérios de Tanner, P1 G1. Seu crescimento foi de 4,5 cm no último ano.
Tanner G1 aos 13 anos não basta para diagnosticar atraso puberal: o limite masculino é 14 anos sem aumento testicular.
Idade óssea atrasada e estirão tardio favorecem padrão constitucional; idade óssea próxima da cronológica favorece baixa estatura familiar.
Seguimento exige medir velocidade de crescimento e progressão puberal, não apenas observar a altura isolada.
Atraso constitucional não implica deficiência de GH.
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Contexto
O padrão favorece atraso constitucional do crescimento e da maturação puberal: adolescente saudável, ainda pré-púbere, com idade óssea dois anos inferior à cronológica e potencial de crescimento remanescente. A ausência do estirão enquanto os colegas já entraram na puberdade aumenta a diferença aparente de altura. O atraso ósseo ajuda a reconhecer maturação mais lenta, mas não é específico e também pode ocorrer em doenças endócrinas ou sistêmicas.
Dois números evitam diagnósticos indevidos. Primeiro, baixa estatura é usualmente definida como altura abaixo de menos 2 desvios-padrão; o menino está entre menos 1 e menos 2, portanto não apresenta necessariamente baixa estatura pelo critério estatístico. Segundo, no menino, atraso puberal é definido pela ausência de aumento testicular para cerca de 4 mL até os 14 anos. Tanner G1 aos 13 anos ainda pode estar dentro da variação normal. A expressão “atraso constitucional” descreve aqui o padrão maturacional mais provável, não atraso puberal patológico já estabelecido.
As orientações da Pediatric Endocrine Society e da American Academy of Pediatrics apoiam observação no padrão constitucional, sem uso rotineiro de GH. A velocidade de 4,5 cm no último ano é compatível com o limite inferior de um ritmo pré-puberal, mas precisa ser acompanhada, não declarada normal independentemente da curva. Reavaliar em aproximadamente seis meses permite verificar velocidade, cruzamento de percentis e evolução testicular. Queda da velocidade, sintomas sistêmicos ou ausência de progressão após a idade-limite justificam investigação. Em adolescentes mais velhos com sofrimento relevante, um curso curto de testosterona pode ser considerado pelo especialista; isso não equivale a indicar GH.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Reconhece a hipótese mais provável, mas propõe GH sem deficiência demonstrada ou outra indicação específica. Maturação tardia isolada não é indicação rotineira desse tratamento.
B) Incorreta. O alvo familiar não é baixo e a idade óssea está atrasada dois anos. Esse conjunto favorece atraso constitucional, embora padrões familiar e constitucional possam coexistir em outros pacientes.
C) Correta (gabarito). Integra idade óssea atrasada, estágio pré-puberal e ausência de doença aparente. O seguimento permite documentar crescimento e entrada espontânea na puberdade.
D) Incorreta. Baixa estatura idiopática é diagnóstico de exclusão, geralmente com estatura abaixo de menos 2 DP. O menino não preenche esse critério e não há justificativa para GH.