Lactente, 4 meses de idade, com pneumonia bacteriana, apresenta FR = 70 irpm, retração intercostal e subdiafragmática, batimento de asa de nariz, e gemido expiratório.
Se a pergunta relaciona um sinal clínico à preservação da CRF, procure gemido expiratório.
Gemência funciona como PEEP produzida pela própria criança: glote parcialmente fechada freia a expiração.
Batimento nasal reduz resistência de entrada; retrações revelam esforço inspiratório.
Um mecanismo compensatório pode ser sinal de gravidade e de necessidade de suporte.
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Contexto
Na pneumonia, inflamação e preenchimento alveolar diminuem a complacência pulmonar e favorecem fechamento de unidades respiratórias. No lactente, a parede torácica muito complacente oferece menor sustentação ao volume pulmonar. A capacidade residual funcional (CRF) é o volume que permanece no pulmão ao final de uma expiração tranquila, correspondente à soma do volume residual com o volume de reserva expiratório. Preservá-la ajuda a manter troca gasosa entre as inspirações e a reduzir atelectasia.
O gemido expiratório decorre da expiração contra a glote parcialmente fechada. Esse estreitamento freia a saída de ar e sustenta pressão positiva intrapulmonar no final da expiração, produzindo um efeito semelhante à pressão expiratória final positiva, PEEP. Assim, retarda o esvaziamento, mantém maior volume pulmonar e reduz a tendência ao colapso alveolar. É uma compensação fisiológica, mas sua presença indica comprometimento respiratório relevante, não estabilidade.
A frequência de 70 irpm é elevada para quatro meses; na abordagem da OMS/AIDPI, considera-se respiração rápida a partir de 50 irpm dos dois aos 12 meses. O aumento da frequência pode elevar a ventilação-minuto, mas não garante ventilação alveolar adequada, pois respirações muito superficiais aumentam a proporção ventilada de espaço morto. Entre os sinais apresentados, somente a gemência descreve diretamente o mecanismo de frenagem expiratória perguntado.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O fechamento parcial da glote durante a expiração gera uma resistência de saída que mantém pressão positiva e protege o volume pulmonar ao final da expiração, reduzindo colapso alveolar.
B) Incorreta. Dilatar as narinas reduz a resistência das vias aéreas superiores. Não é o mecanismo que sustenta pressão positiva ao término da expiração.
C) Incorreta. A taquipneia responde à demanda ventilatória e à menor eficiência das trocas. Embora o padrão respiratório influencie volumes pulmonares, aumentar a frequência não identifica a frenagem glótica responsável pelo efeito de PEEP descrito.
D) Incorreta. A retração subdiafragmática evidencia esforço inspiratório contra um sistema respiratório desfavorável. É consequência das pressões negativas e da complacência torácica, não o mecanismo expiratório que evita colapso.