Ao realizar toque vaginal em parturiente no período expulsivo, obstetra notou a presença de bossa e de cavalgamento dos ossos do crânio.
Bossa e cavalgamento sugerem resistência mecânica, mas não diagnosticam desproporção isoladamente.
A combinação preocupante é moldagem acentuada, principalmente não redutível, com ausência de descida e contrações adequadas.
Bossa é edema de partes moles; cavalgamento é sobreposição óssea.
A bossa pode simular cabeça mais baixa: avaliar referências ósseas antes de decidir a via de parto.
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Contexto
Bossa serossanguínea e cavalgamento são respostas da cabeça fetal à pressão durante sua passagem pelo canal de parto. A bossa é edema dos tecidos superficiais do couro cabeludo, produzido por compressão e dificuldade de drenagem venolinfática. O cavalgamento é sobreposição dos ossos cranianos nas suturas, favorecida pela mobilidade normal do crânio fetal. São fenômenos distintos: um altera partes moles, o outro é moldagem óssea.
Quando acentuados ou progressivos, sobretudo com ausência de descida apesar de contrações adequadas, esses achados sugerem resistência mecânica e desproporção cefalopélvica. Pode haver incompatibilidade entre dimensões fetais e pelve ou apresentação desfavorável que aumente o diâmetro oferecido. A associação descrita favorece A entre as alternativas, mas a simples presença de bossa e moldagem não confirma obstrução: graus leves também aparecem em partos vaginais normais. O diagnóstico depende da evolução do trabalho de parto.
O Labour Care Guide da OMS inclui avaliação de bossa e moldagem como parte da vigilância da progressão e utiliza achados intensos como sinais para reavaliação. O toque deve identificar referências ósseas e suturas, pois a bossa pode dar falsa impressão de apresentação baixa. Para diferenciar malposição de desproporção, consideram-se posição, variedade de posição, contrações, descida e tempo de evolução; ultrassonografia intraparto pode auxiliar quando disponível.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É a associação clássica cobrada: resistência à passagem da cabeça produz edema e sobreposição dos ossos. A hipótese fica especialmente forte se os achados forem intensos e acompanhados de parada de descida com dinâmica adequada.
B) Incorreta. A deflexão de segundo grau corresponde à apresentação de fronte, identificada pelas referências anatômicas ao toque. Pode causar dificuldade mecânica e moldagem, mas bossa e cavalgamento não a identificam especificamente, pois não informam o grau de deflexão.
C) Incorreta. Cranioestenose é fusão prematura de suturas, uma alteração congênita da formação do crânio. Não representa a explicação obstétrica habitual para edema do couro cabeludo e moldagem por sobreposição durante o parto.
D) Incorreta. No assinclitismo posterior, a cabeça inclina-se lateralmente, o parietal posterior se apresenta e a sutura sagital se aproxima da sínfise púbica. É essa relação anatômica, ausente no enunciado, que o identifica; bossa e cavalgamento não definem a direção do assinclitismo.