Homem, 65 anos de idade, em exame de rotina apresenta dilatação aneurismática sacular de aorta abdominal com diâmetro transverso máximo ao ultrassom de 3 cm e 3 cm de extensão. O aneurisma se encontra a 2 centímetros abaixo das artérias renais. Paciente assintomático sem outras comorbidades.
Pegadinha: não aplique automaticamente o corte de 5 a 5,5 cm a um aneurisma sacular.
Aneurisma fusiforme pequeno e assintomático tende a ser acompanhado; aneurisma sacular exige avaliação para reparo individualizado.
Na prova, localização infrarrenal com anatomia favorável aponta para reparo endovascular.
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Contexto
O aneurisma de aorta abdominal é definido, em geral, por diâmetro aórtico máximo de pelo menos 3,0 cm. Nos aneurismas fusiformes assintomáticos, o diâmetro é um dos principais determinantes da indicação de reparo, e um aneurisma de 3 cm costuma ser acompanhado por imagem. A questão muda, porém, ao informar que a dilatação é sacular.
A morfologia sacular é tratada como situação distinta porque pode representar uma parede focalmente mais vulnerável e tem história natural menos bem estabelecida que a do aneurisma fusiforme. A Society for Vascular Surgery recomenda considerar reparo eletivo do aneurisma sacular mesmo sem um limiar de diâmetro bem definido, e a Diretriz ESVS 2024 também enfatiza individualização conforme anatomia e risco. Portanto, o pequeno diâmetro de 3 cm não deve ser usado isoladamente para descartar tratamento.
O aneurisma está 2 cm abaixo das artérias renais, ou seja, é infrarrenal. Para correção endovascular convencional, importa haver colo proximal e anatomia adequados para selagem e fixação da endoprótese. A descrição da prova sugere anatomia favorável e paciente eletivo, razão pela qual o tratamento endovascular é a melhor opção entre as alternativas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Seguimento seriado seria a resposta típica para um aneurisma fusiforme assintomático de 3 cm, mas a morfologia sacular altera o risco e pode justificar reparo mesmo abaixo dos limiares usuais de diâmetro.
B) Incorreta. Cirurgia aberta com prótese é uma forma válida de reparo de aneurisma, mas é mais invasiva. Em anatomia apropriada para endoprótese, o tratamento endovascular oferece menor agressão perioperatória e é preferível entre as opções apresentadas.
C) Correta (gabarito). O caráter sacular favorece indicação de correção apesar do pequeno diâmetro, e a localização infrarrenal descrita é compatível com abordagem endovascular quando o colo e os acessos são adequados.
D) Incorreta. Injeção de fibrina no saco aneurismático não é tratamento padrão para aneurisma de aorta abdominal. Técnicas de embolização podem ter papel em complicações específicas de endopróteses, como alguns endoleaks, mas não substituem o reparo do aneurisma primário.