Gestante, 32 anos de idade, III G, IP, idade gestacional de 10 semanas pela DUM, apresentou sangramento vaginal, submetendo-se à curetagem uterina com diagnóstico de abortamento incompleto. O aspecto macroscópico e o resultado do exame histopatológico do material da cavidade uterina é de mola hidatiforme completa. Exames laboratoriais: hCG: 250.000 UI/L antes da curetagem, 50.000 UI/L após 7 dias, 70.000 UI/L após 14 dias e 85.000UI/L após 21 dias do procedimento. Nessa última avaliação, observou-se o aparecimento de lesão arroxeada na parede vaginal posterior, com 2 cm de diâmetro.
hCG que volta a subir após mola é NTG até prova em contrário; não espere normalizar espontaneamente quando o critério FIGO já foi preenchido.
FIGO 2026: aumento maior que 10% em três dosagens semanais consecutivas ao longo de pelo menos 2 semanas já diagnostica NTG.
Metástase vaginal é estágio II e não deve ser biopsiada de rotina pelo risco de hemorragia.
Escore 0 a 6 é baixo risco; 7 a 12 é alto risco; 13 ou mais é ultra-alto risco na classificação FIGO 2026.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Após esvaziamento de mola hidatiforme, o hCG deve cair progressivamente. A FIGO 2026 define neoplasia trofoblástica gestacional pós-molar quando há platô do hCG com variação menor que 10% em quatro medidas ao longo de pelo menos 3 semanas ou elevação maior que 10% em três medidas semanais consecutivas ao longo de pelo menos 2 semanas. Neste caso, o hCG sobe de 50.000 para 70.000 e depois 85.000 UI/L em três avaliações consecutivas, preenchendo critério diagnóstico de NTG.
A lesão vaginal arroxeada é altamente sugestiva de metástase trofoblástica e não deve ser biopsiada rotineiramente porque essas lesões são intensamente vascularizadas e podem sangrar de forma grave. Pela classificação anatômica FIGO 2026, metástase limitada à vagina corresponde a estágio II. Antes da quimioterapia, a paciente deve ser estadiada e receber escore prognóstico FIGO/OMS. Se a lesão vaginal for a única metástase e o hCG pré-tratamento permanecer na faixa de 10.000 a menos de 100.000, o escore provável é baixo, mas o estadiamento completo é obrigatório antes de definir o esquema.
As Diretrizes Práticas EOTTD/ESGO/GCIG/ISSTD de 2025 recomendam quimioterapia para NTG. Doença de baixo risco, escore 0 a 6, costuma ser tratada com agente único, como metotrexato ou actinomicina D; escores de 7 ou mais exigem esquemas multiagentes, tradicionalmente EMA-CO em muitos cenários.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A lesão vaginal provavelmente é metastática e muito vascularizada. Biópsia pode desencadear hemorragia intensa e não é necessária para diagnosticar NTG quando a evolução do hCG já preenche critérios.
B) Incorreta. Nova curetagem não trata doença metastática e a biópsia vaginal acrescenta risco hemorrágico. A paciente já apresenta critério bioquímico de NTG e lesão metastática suspeita.
C) Incorreta. Não é necessário esperar outra semana. A elevação superior a 10% em três medidas semanais consecutivas já satisfaz o critério FIGO 2026 para NTG.
D) Correta (gabarito). A paciente deve ser estadiada imediatamente, receber escore prognóstico e iniciar quimioterapia de acordo com o risco. A lesão vaginal deve ser avaliada clinicamente e por imagem, sem biópsia rotineira.