Mulher, 48 anos de idade, submeteu-se à histerectomia total abdominal por mioma uterino há 4 meses. Refere ter realizado conização por NIC 3 com margens livres há 8 anos.
Histerectomia por mioma não encerra rastreamento se existe antecedente de NIC 2 ou NIC 3.
Gabarito histórico: citologia trienal após seguimento inicial adequado.
Atualização INCA 2025: DNA-HPV é o método primário e história de NIC 2, NIC 3 ou AIS exige vigilância prolongada, em geral até 25 anos após o tratamento.
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Contexto
Histerectomia total por doença benigna normalmente permitiria encerrar o rastreamento se a paciente nunca tivesse apresentado lesão cervical de alto grau. Aqui existe antecedente de NIC 3 tratada por conização, portanto o risco de neoplasia do trato genital inferior permanece aumentado e a retirada posterior do colo não apaga esse histórico.
O gabarito foi construído com base nas Diretrizes Brasileiras de 2016, que recomendavam seguimento prolongado após NIC 2 ou 3 e, depois da fase inicial com exames negativos, retorno à citologia em intervalos trienais. Há atualização importante: as Diretrizes Brasileiras de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero de 2025 passaram a adotar teste de DNA-HPV oncogênico como método primário no SUS e recomendam que pessoas com história de NIC 2, NIC 3 ou adenocarcinoma in situ mantenham vigilância por até 25 anos após o tratamento; após histerectomia, quando há indicação de seguimento, a coleta é vaginal. Assim, mantém-se D como resposta da prova, mas a prática atual já não deve ser resumida simplesmente a citologia trienal.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O antecedente de NIC 3 impede encerrar automaticamente a vigilância após histerectomia. Existe risco residual de doença relacionada ao HPV, inclusive neoplasia intraepitelial vaginal.
B) Incorreta. Pesquisar exclusivamente HPV 16 é insuficiente, porque outros tipos oncogênicos também importam. Quando se utiliza estratégia molecular, o teste deve detectar HPV oncogênico conforme protocolo validado.
C) Incorreta. Vaginoscopia anual não é método de rastreamento de rotina em paciente assintomática com seguimento normal. Colposcopia ou vaginoscopia é direcionada por alterações do teste de vigilância ou achados clínicos.
D) Correta (gabarito). Pela referência clássica usada na questão, a história de NIC 3 tratada exige manutenção de rastreio mesmo após histerectomia, com citologia em periodicidade trienal após seguimento inicial adequado. A diretriz brasileira de 2025 atualizou o método para estratégia baseada em DNA-HPV e prolongou explicitamente a vigilância por até 25 anos.