Mulher, 54 anos de idade, refere sangramento genital progressivo há 2 anos. Biopsia endometrial: adenocarcinoma endometrial do tipo seroso. Estudo imuno-histoquímico: expressão anormal para p53. Ressonância Magnética da Pelve: doença restrita ao útero, ausência de linfonodomegalias pélvicas e para-aórticas. Tomografia de abdome superior e tórax: sem alterações.
Seroso endometrial não é tratado como endometrioide de baixo risco: estadiamento precisa incluir avaliação peritoneal e omento.
ESGO/ESTRO/ESP 2025: cirurgia padrão inclui histerectomia, salpingooforectomia e estadiamento linfonodal; no seroso, acrescenta-se omentectomia infracólica.
Atualização de prova: em doença uterina, linfonodo sentinela é hoje preferido à linfadenectomia sistemática de rotina.
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Contexto
Carcinoma seroso do endométrio é histologia agressiva, frequentemente associada ao perfil molecular p53 anormal e com maior propensão à disseminação extrauterina, inclusive peritoneal, mesmo quando a imagem sugere doença restrita ao útero. Por isso, o tratamento inicial de doença aparentemente ressecável é cirurgia com estadiamento adequado, e não simples histerectomia condicionada à profundidade de invasão miometrial.
As Diretrizes ESGO/ESTRO/ESP de 2025 recomendam, para doença presumidamente estágios I e II, histerectomia total, salpingooforectomia bilateral e estadiamento linfonodal. Para carcinoma seroso, recomendam também omentectomia infracólica total ou parcial. Existe uma atualização relevante em relação ao gabarito histórico: em doença aparentemente confinada ao útero, a estratégia contemporânea prefere biópsia de linfonodo sentinela para estadiamento, com linfadenectomia sistemática específica quando o sentinela não é identificado em pacientes de maior risco. Assim, a alternativa D é mais extensa do que o padrão linfonodal atual, mas continua sendo a única que contempla corretamente a cirurgia primária e o estadiamento peritoneal exigido pela histologia serosa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. No carcinoma seroso, a necessidade de estadiamento não deve ficar condicionada apenas à invasão miometrial maior que 50%. Histologia agressiva e perfil p53 anormal justificam avaliação linfonodal e peritoneal mesmo em doença aparentemente uterina.
B) Incorreta. Quimiorradioterapia neoadjuvante não é a estratégia rotineira para doença serosa aparentemente ressecável e restrita ao útero. O padrão inicial é cirurgia de estadiamento.
C) Incorreta. Imuno-histoquímica p53 anormal define perfil molecular prognóstico, mas não é sinônimo de indicação de imunoterapia inicial. Imunoterapia é orientada por contexto de doença avançada ou recorrente e biomarcadores apropriados, especialmente reparo de mismatch e outros marcadores.
D) Correta (gabarito). A alternativa reconhece que o carcinoma seroso necessita histerectomia total, salpingooforectomia bilateral, avaliação linfonodal e estadiamento peritoneal com omentectomia. A ressalva atual é que o linfonodo sentinela substituiu a linfadenectomia sistemática de rotina em muitos casos confinados ao útero.