Menino, 1 ano de idade, iniciou tratamento para hipotireoidismo congênito com 15 dias de vida, sem elucidação etiológica. Apresenta bom crescimento e ganho de peso, além de desenvolvimento neuropsicomotor normal, com dosagens de TSH e hormônios tireoidianos normais e boa aderência ao tratamento. Ultrassonografia de tireoide: glândula tópica de dimensões normais.
Tireoide tópica e normal no ultrassom não significa hipotireoidismo transitório.
Manual do Ministério da Saúde 2016: se a etiologia não foi definida, mantenha tratamento e reavalie após 2 anos.
Nunca atrase ou interrompa precocemente a levotiroxina apenas para esclarecer a causa do hipotireoidismo congênito.
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Contexto
O hipotireoidismo congênito deve ser tratado imediatamente após a confirmação, porque os hormônios tireoidianos são essenciais à maturação cerebral nos primeiros anos de vida. Quando a etiologia não foi definida no período neonatal, uma tireoide tópica e de tamanho normal ao ultrassom não prova que o hipotireoidismo seja transitório: ainda podem existir defeitos de síntese hormonal, alterações funcionais e formas transitórias que só podem ser diferenciadas com reavaliação posterior.
O Manual Técnico de Triagem Neonatal Biológica do Ministério da Saúde de 2016 orienta que, se a investigação etiológica não pôde ser realizada sem atrasar o tratamento, ela seja postergada até após os 2 anos de vida, quando a levotiroxina pode ser temporariamente suspensa para reavaliação. Assim, aos 12 meses, com desenvolvimento normal e controle hormonal adequado, a conduta é manter a reposição e não testar empiricamente a retirada.
Consensos internacionais mais recentes costumam situar a reavaliação da permanência do hipotireoidismo em torno de 2 a 3 anos quando não há diagnóstico etiológico definitivo, com possibilidade de avaliação mais precoce em situações muito selecionadas de necessidade mínima de levotiroxina. Isso não modifica o gabarito, que solicita especificamente a recomendação do manual brasileiro de 2016.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cintilografia pode ajudar a definir disgenesia ou defeitos funcionais, mas não há urgência em realizá-la aos 12 meses em criança estável, especialmente se isso exigir interrupção da reposição. A investigação pode ser feita na idade protocolar de reavaliação.
B) Incorreta. Suspender levotiroxina aos 12 meses sem demonstração de transitoriedade expõe a criança à deficiência hormonal em período ainda crítico para neurodesenvolvimento.
C) Incorreta. Redução empírica de 50% e repetição de ultrassom não distinguem hipotireoidismo permanente de transitório. A ultrassonografia anatômica normal não avalia adequadamente a capacidade de síntese hormonal.
D) Correta (gabarito). Segundo o Manual Técnico do Ministério da Saúde de 2016, deve-se manter a levotiroxina até pelo menos 2 anos quando a etiologia permanece indefinida, realizando então reavaliação apropriada.