Recém-nascida (RN) de 7 dias de vida, é levada à UBS para a primeira consulta pediátrica. Sua mãe foi diagnosticada com toxoplasmose aguda no terceiro trimestre da gestação e iniciou tratamento com espiramicina. O USG fetal identificou calcificações intracranianas. O exame físico da RN é normal, o USG transfontanelar não revelou novas lesões além das já detectadas e sua sorologia é IgG positivo e IgM negativo para toxoplasmose.
IgM neonatal negativa não exclui toxoplasmose congênita.
Calcificação intracraniana em filho de mãe com toxoplasmose gestacional muda o caso de simples exposição para forte evidência de doença congênita.
Tratamento do RN: pirimetamina mais sulfadiazina mais ácido folínico por 12 meses.
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Contexto
A mãe apresentou toxoplasmose aguda no terceiro trimestre e o feto já demonstrava calcificações intracranianas, achado compatível com toxoplasmose congênita. IgM neonatal negativa não exclui infecção, porque a sensibilidade da sorologia no recém-nascido é limitada. IgG positiva isoladamente também pode refletir anticorpos maternos transferidos pela placenta, mas, neste caso, existe evidência fetal de acometimento do sistema nervoso central.
O Ministério da Saúde recomenda tratamento da toxoplasmose congênita com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico durante o primeiro ano de vida. O ácido folínico reduz toxicidade medular da pirimetamina e não deve ser substituído por ácido fólico. O seguimento inclui hemograma, avaliação neurológica, auditiva e oftalmológica, além de monitorização das lesões conforme o quadro.
Espiramicina tem papel principalmente materno na tentativa de reduzir transmissão fetal quando a infecção materna é reconhecida em determinadas fases. Ela não constitui o esquema definitivo para o recém-nascido com doença congênita.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Espiramicina não é o tratamento padrão do recém-nascido infectado, e esperar que IgM se torne positiva pode atrasar terapia necessária.
B) Incorreta. A presença de calcificações intracranianas em contexto de infecção materna documentada torna inadequada uma conduta apenas expectante, mesmo com exame físico neonatal normal.
C) Correta (gabarito). O recém-nascido deve iniciar pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico, mantendo o tratamento por 12 meses conforme protocolo brasileiro para toxoplasmose congênita.
D) Incorreta. Repetir exames pode integrar o seguimento, mas não deve atrasar o início do tratamento quando há evidência antenatal de comprometimento compatível com toxoplasmose congênita.