Mulher, 34 anos de idade, nuligesta, com endometriose tratada clinicamente no passado, retorna com queixa de infertilidade há 18 meses. Ressonância magnética: endometriose profunda com nódulo em septo retovaginal e distorção anatômica. Ciclos ovulatórios regulares e parceiro com espermograma normal. Diante do desejo de engravidar,
A pegadinha é transformar uma conduta possível em regra universal. ESHRE 2022 não exige cirurgia de endometriose profunda antes de tentar gravidez ou FIV.
Supressão hormonal não é tratamento de infertilidade em quem deseja gestar imediatamente.
Cirurgia deve considerar sintomas, distorção anatômica, reserva ovariana, idade, cirurgias prévias e estratégia reprodutiva.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A paciente tem infertilidade há 18 meses associada a endometriose profunda com nódulo em septo retovaginal e distorção anatômica pélvica. A questão adota o raciocínio clássico de que a cirurgia conservadora pode remover lesões e aderências e restaurar anatomia suficiente para facilitar gestação espontânea ou tratamentos subsequentes.
Existe, porém, uma divergência importante com a diretriz atual. A ESHRE 2022 afirma que não há evidência convincente de que operar endometriose profunda aumente a fertilidade e recomenda individualizar a decisão conforme dor, idade, preferência, cirurgias prévias, outros fatores de infertilidade, reserva ovariana e Endometriosis Fertility Index. A cirurgia pode ser considerada, especialmente em pacientes sintomáticas ou com distorção anatômica relevante, mas não é obrigatória antes de reprodução assistida. Terapia hormonal supressora com análogo de GnRH, por outro lado, não melhora a fertilidade espontânea enquanto impede ovulação e concepção.
Assim, o gabarito C deve ser mantido porque é a alternativa que melhor representa a abordagem cirúrgica conservadora cobrada pela prova diante da distorção anatômica. Na prática contemporânea, a decisão entre cirurgia e fertilização in vitro deve ser compartilhada e individualizada, e encaminhamento a centro especializado em endometriose profunda é apropriado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Inseminação intrauterina não corrige aderências ou distorção anatômica significativa. Seu benefício é mais bem demonstrado em infertilidade com endometriose mínima ou leve e trompas funcionantes, não em doença profunda com anatomia alterada.
B) Incorreta. Análogo de GnRH suprime o eixo reprodutivo e impede gestação durante o uso. Tratamento hormonal isolado não restaura a anatomia nem aumenta a taxa de gestação espontânea em mulher que já deseja engravidar.
C) Correta (gabarito). Dentro da lógica da prova, a cirurgia conservadora trata a endometriose profunda e tenta restaurar a anatomia antes de novas tentativas. Pela ESHRE 2022, esse benefício reprodutivo não é garantido e a indicação deve ser individualizada.
D) Incorreta. Endometriose profunda não contraindica gestação espontânea de forma absoluta. Fertilização in vitro pode ser uma excelente estratégia, mas não é obrigatória para todas as pacientes e preservação de óvulos não é sinônimo de tratamento imediato da infertilidade aos 34 anos.