Infertilidade conjugal

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Questão 44
UNIFESP · 2026

Mulher, 34 anos de idade, nuligesta, com endometriose tratada clinicamente no passado, retorna com queixa de infertilidade há 18 meses. Ressonância magnética: endometriose profunda com nódulo em septo retovaginal e distorção anatômica. Ciclos ovulatórios regulares e parceiro com espermograma normal. Diante do desejo de engravidar,

qual é a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A paciente tem infertilidade há 18 meses associada a endometriose profunda com nódulo em septo retovaginal e distorção anatômica pélvica. A questão adota o raciocínio clássico de que a cirurgia conservadora pode remover lesões e aderências e restaurar anatomia suficiente para facilitar gestação espontânea ou tratamentos subsequentes.

Existe, porém, uma divergência importante com a diretriz atual. A ESHRE 2022 afirma que não há evidência convincente de que operar endometriose profunda aumente a fertilidade e recomenda individualizar a decisão conforme dor, idade, preferência, cirurgias prévias, outros fatores de infertilidade, reserva ovariana e Endometriosis Fertility Index. A cirurgia pode ser considerada, especialmente em pacientes sintomáticas ou com distorção anatômica relevante, mas não é obrigatória antes de reprodução assistida. Terapia hormonal supressora com análogo de GnRH, por outro lado, não melhora a fertilidade espontânea enquanto impede ovulação e concepção.

Assim, o gabarito C deve ser mantido porque é a alternativa que melhor representa a abordagem cirúrgica conservadora cobrada pela prova diante da distorção anatômica. Na prática contemporânea, a decisão entre cirurgia e fertilização in vitro deve ser compartilhada e individualizada, e encaminhamento a centro especializado em endometriose profunda é apropriado.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Inseminação intrauterina não corrige aderências ou distorção anatômica significativa. Seu benefício é mais bem demonstrado em infertilidade com endometriose mínima ou leve e trompas funcionantes, não em doença profunda com anatomia alterada.

B) Incorreta. Análogo de GnRH suprime o eixo reprodutivo e impede gestação durante o uso. Tratamento hormonal isolado não restaura a anatomia nem aumenta a taxa de gestação espontânea em mulher que já deseja engravidar.

C) Correta (gabarito). Dentro da lógica da prova, a cirurgia conservadora trata a endometriose profunda e tenta restaurar a anatomia antes de novas tentativas. Pela ESHRE 2022, esse benefício reprodutivo não é garantido e a indicação deve ser individualizada.

D) Incorreta. Endometriose profunda não contraindica gestação espontânea de forma absoluta. Fertilização in vitro pode ser uma excelente estratégia, mas não é obrigatória para todas as pacientes e preservação de óvulos não é sinônimo de tratamento imediato da infertilidade aos 34 anos.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é transformar uma conduta possível em regra universal. ESHRE 2022 não exige cirurgia de endometriose profunda antes de tentar gravidez ou FIV.

  • Supressão hormonal não é tratamento de infertilidade em quem deseja gestar imediatamente.

  • Cirurgia deve considerar sintomas, distorção anatômica, reserva ovariana, idade, cirurgias prévias e estratégia reprodutiva.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infertilidade conjugal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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