Parturiente com idade gestacional de 37 semanas internou com perda de líquido amniótico há 5 horas. Pré-natal sem intercorrências, salvo por infecção urinária por Streptococcus B, tratada no segundo trimestre. A cultura vaginal e do intróito anal para Streptococcus B com 35 semanas foi negativa. Exame Físico: AU: 34 cm, DU 3/50"/10 min, BCF 148 bpm, colo médio, medianizado 4 cm, apresentação cefálica.
Pegadinha central: bacteriúria ou ITU por EGB em qualquer momento da gestação obriga profilaxia intraparto, mesmo se o swab vaginal e retal posterior vier negativo.
Primeira escolha: penicilina G 5 milhões UI IV de ataque, depois 2,5 a 3 milhões UI IV a cada 4 horas até o parto.
Rotura de membranas por 18 horas ou mais é critério de profilaxia quando o estado para EGB é desconhecido; não é um tempo de espera quando já existe outra indicação.
Em prova, diferencie dose de profilaxia de dose terapêutica: ampicilina para EGB é 2 g de ataque e 1 g a cada 4 horas.
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Contexto
A infecção urinária ou bacteriúria por Streptococcus agalactiae, estreptococo do grupo B, em qualquer momento da gestação é marcador de colonização materna importante e constitui indicação de profilaxia antibiótica intraparto. O tratamento da infecção urinária durante o pré-natal não elimina essa indicação, porque a colonização genital e gastrointestinal pode reaparecer. Por isso, uma cultura vaginal e retal posteriormente negativa não anula a necessidade de profilaxia quando houve bacteriúria por EGB na gestação atual.
Segundo a recomendação do ACOG de 2020 para prevenção da doença neonatal precoce por EGB, a droga de primeira escolha, na ausência de alergia à penicilina, é penicilina G cristalina 5 milhões de UI intravenosa como dose inicial, seguida de 2,5 a 3 milhões de UI intravenosa a cada 4 horas até o parto. A ampicilina é alternativa, com 2 g intravenosos de ataque e 1 g a cada 4 horas. A cefazolina é reservada principalmente para alergia à penicilina com baixo risco de anafilaxia, em esquema de 2 g de ataque e 1 g a cada 8 horas.
O critério de rotura de membranas por 18 horas ou mais entra como fator de risco quando o estado de colonização por EGB é desconhecido. Ele não é motivo para adiar a profilaxia de uma gestante que já tem indicação independente, como bacteriúria por EGB na gestação atual. Nesta paciente, a bolsa rompeu há apenas 5 horas, mas ela já está em trabalho de parto e a profilaxia deve ser iniciada agora.
Inconsistência do cadastro: o campo fornecido nesta tarefa informa a alternativa D como gabarito, porém o gabarito publicado da UNIFESP 2026 para esta questão é a alternativa B, que também coincide com as recomendações atuais. Para evitar ensinar uma conduta incorreta, a análise abaixo segue a alternativa B como correta.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Reduzir toques vaginais após a rotura de membranas é uma medida prudente para diminuir manipulação e risco infeccioso, e a ausculta fetal pode ser intermitente em trabalho de parto de baixo risco. O problema é que essa conduta omite a intervenção decisiva do caso: profilaxia intraparto para EGB devido à bacteriúria ou ITU por esse agente durante a gestação.
B) Correta (gabarito). A história de infecção urinária por EGB na gestação atual é indicação suficiente para profilaxia intraparto, mesmo com cultura vaginal e retal negativa às 35 semanas. A dose proposta, 5 milhões de UI de penicilina G cristalina por via intravenosa seguida de 2,5 milhões de UI a cada 4 horas até o parto, corresponde ao esquema de primeira escolha.
C) Incorreta. A ampicilina pode ser usada como alternativa à penicilina G, mas o esquema apresentado está superdimensionado para profilaxia do EGB. O regime recomendado é 2 g intravenosos como dose inicial, seguidos de 1 g intravenoso a cada 4 horas até o parto, e não 4 g seguidos de 2 g a cada 4 horas.
D) Incorreta. Não se deve esperar completar 18 horas de rotura para iniciar antibiótico, porque a paciente já tem uma indicação independente de profilaxia: bacteriúria ou ITU por EGB na gestação atual. Além disso, cefazolina não é a primeira escolha para gestante sem alergia à penicilina e, quando indicada por alergia de baixo risco, o esquema não é uma dose única após 18 horas, mas 2 g de ataque seguidos de 1 g a cada 8 horas até o parto.