Delirium, demência e polifarmácia no idoso

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Questão 32
UNIFESP · 2026

Mulher, 84 anos de idade, comparece ao ambulatório acompanhada da filha, que relata o retorno de episódios de agitação nos últimos 5 dias, principalmente no fim da tarde. A paciente não tem dormido bem e, em um dos episódios, levantou-se da cama e retirou as roupas. Apresenta histórico de cinco quedas nos últimos 45 dias, palidez labial episódica durante os momentos de agitação e recusa ocasional em aferir a pressão arterial. Há 1 mês, iniciou o uso de quetiapina e dipirona.

Qual é a hipótese diagnóstica principal?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica de início agudo ou subagudo, com flutuação ao longo do dia e alteração de atenção e consciência, acompanhada de mudança cognitiva ou comportamental. Neste caso, a mudança ocorreu em cinco dias, piora no fim da tarde, há agitação, comportamento desorganizado e inversão do ciclo sono-vigília. Esse padrão favorece delirium hiperativo, e não simples progressão de demência.

Em idosos, delirium deve ser encarado como manifestação de uma causa precipitante até prova em contrário. A investigação procura infecção, hipóxia, dor, retenção urinária, fecaloma, desidratação, distúrbios metabólicos, alterações de medicamentos e abstinência, entre outros. Quetiapina pode contribuir para sedação, hipotensão e quedas, portanto deve ser revista, mas o diagnóstico sindrômico continua sendo delirium. A presença de demência prévia, quando existe, aumenta o risco e não exclui delirium sobreposto.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Quetiapina pode aumentar risco de sedação, hipotensão postural e quedas, mas uma reação adversa isolada não explica melhor o curso agudo, flutuante e desorganizado. A medicação deve ser considerada como possível fator precipitante dentro da investigação do delirium.

B) Incorreta. Demência é uma síndrome crônica, geralmente progressiva ao longo de meses ou anos. Piora abrupta em poucos dias deve ser considerada delirium até que se encontre outra explicação.

C) Correta (gabarito). O início em cinco dias, a flutuação vespertina, a alteração do sono, a agitação e o comportamento desorganizado caracterizam delirium com predomínio hiperativo.

D) Incorreta. O envelhecimento pode fragmentar o sono, mas não causa por si só desorganização comportamental aguda, desorientação ou mudança abrupta do estado mental.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é chamar toda piora vespertina de demência ou sundowning. Mudança aguda e flutuante em idoso é delirium até prova em contrário.

  • Delirium é diagnóstico sindrômico. Depois de reconhecê-lo, procure imediatamente o precipitante.

  • Antipsicótico não trata a causa do delirium e deve ser reservado a situações selecionadas de agitação com risco, sempre após medidas não farmacológicas.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Delirium, demência e polifarmácia no idoso” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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