Homem, 75 anos de idade, em tratamento de câncer de próstata metastático, em uso de tansulosina, leuprorrelina e enzalutamida, não apresenta evidência de progressão de doença nos últimos 18 meses. Relata piora dos sintomas urinários obstrutivos há 6 meses. Nega antecedentes cirúrgicos. Exames: PSA 1,4ng/dL, Ureia 80 mg/dL e Creatinina 1,8 mg/dL. Ultrassonografia de abdômen: volume prostático de 30 g e resíduo pós-miccional de 330 mL.
A pegadinha é escolher tratamento “do câncer” quando a pergunta é sobre controle da obstrução urinária.
Resíduo pós miccional muito elevado, piora obstrutiva e disfunção renal reforçam necessidade de desobstrução.
Em doença metastática, diferencie intenção oncológica curativa de procedimentos paliativos dirigidos a sintomas locais.
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Contexto
O paciente tem câncer de próstata metastático em controle oncológico, mas desenvolveu sintomas urinários obstrutivos progressivos apesar de alfa bloqueador. O resíduo pós miccional de 330 mL é muito elevado e, junto com ureia e creatinina aumentadas, sugere esvaziamento vesical inadequado com risco de repercussão do trato urinário. O objetivo imediato não é curar o câncer localizado, mas desobstruir a via urinária.
A ressecção transuretral da próstata pode ser empregada como procedimento desobstrutivo paliativo ou funcional em pacientes com câncer de próstata que apresentam obstrução infravesical persistente. Ela remove o tecido que impede o fluxo e oferece melhora mais rápida do esvaziamento. Radioterapia e braquiterapia são tratamentos oncológicos locais e não são a melhor resposta para retenção crônica importante. Prostatectomia radical, por sua vez, é uma cirurgia com intenção curativa local e não se ajusta ao cenário de doença metastática estável com problema predominantemente obstrutivo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Prostatectomia radical não é escolhida para aliviar obstrução em paciente com doença metastática já estabelecida. O custo cirúrgico é desproporcional ao objetivo paliativo do caso.
B) Incorreta. Radioterapia externa pode participar do controle oncológico em cenários específicos, mas não produz a desobstrução mecânica imediata necessária diante de grande resíduo pós miccional.
C) Correta (gabarito). A RTU de próstata é um procedimento endoscópico desobstrutivo adequado para sintomas persistentes e retenção crônica, permitindo reduzir a resistência uretral e melhorar o esvaziamento vesical.
D) Incorreta. Braquiterapia é modalidade de tratamento local do câncer de próstata e pode inclusive piorar temporariamente sintomas urinários. Não é procedimento de escolha para descompressão de uma saída vesical obstruída.