Homem, 62 anos de idade, apresenta dispneia progressiva aos moderados esforços e ortopneia há 6 meses. Exame fisico: turgência jugular patológica; murmúrio vesicular presente bilateralmente com estertores crepitantes em ambas as bases; bulhas cardíacas rítmicas com presença de terceira bulha, ictus palpável no sexto espaço intercostal esquerdo na linha axilar anterior, onde se ausculta um sopro sistólico regurgitativo 3+/6+ irradiado para axila, e edema simétrico de membros inferiores 2+/4+.
A pegadinha é confundir sopro de insuficiência mitral com lesão primária da valva. Ventrículo dilatado pode causar insuficiência mitral mesmo com folhetos normais.
Sopro holossistólico apical irradiado para axila é o padrão clássico de regurgitação mitral.
Na insuficiência mitral funcional ventricular, trate também a doença do ventrículo que gera tração e dilatação do aparato mitral.
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Contexto
O paciente apresenta síndrome congestiva biventricular, com ortopneia, estertores, turgência jugular e edema, além de terceira bulha e ictus deslocado lateralmente. O deslocamento do ictus sugere dilatação e remodelamento do ventrículo esquerdo. Esse remodelamento pode produzir insuficiência mitral secundária, ou funcional, mesmo quando os folhetos e cordas são estruturalmente normais.
Na insuficiência mitral funcional ventricular, a dilatação do anel e o deslocamento apical e lateral dos músculos papilares tracionam os folhetos, reduzem sua coaptação e geram regurgitação sistólica. O sopro clássico é holossistólico no ápice e irradia para a axila. O mecanismo ventricular corresponde frequentemente à restrição sistólica dos folhetos, padrão de Carpentier IIIb. Essa fisiopatologia é diferente da insuficiência mitral primária, na qual a lesão está na própria valva, como no prolapso ou ruptura de cordoalha.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Insuficiência aórtica produz sopro predominantemente diastólico, em decrescendo, melhor auscultado na borda esternal, e não um sopro sistólico apical irradiado para a axila.
B) Incorreta. Prolapso da valva mitral é causa de insuficiência mitral primária e costuma produzir clique mesossistólico seguido de sopro sistólico tardio. O caso enfatiza remodelamento ventricular e insuficiência cardíaca, favorecendo mecanismo funcional.
C) Correta (gabarito). Dilatação do ventrículo esquerdo e deslocamento dos músculos papilares impedem coaptação adequada dos folhetos e geram regurgitação mitral secundária, explicando o sopro apical irradiado para a axila.
D) Incorreta. Abscesso perivalvar é complicação de endocardite e exige contexto infeccioso, como febre e bacteremia, podendo provocar novo distúrbio de condução. Nada disso aparece no caso.