Homem, 68 anos de idade, fumante atual (45 anos-maço), tem diagnóstico de DPОС. Começou a apresentar dispneia progressiva aos esforços, piora da tosse e aumento do volume de escarro. Iniciou uso de formoterol 12 mcg associado a budesonida 400 mcg a cada 12 horas via inalatória, sem melhora do quadro após 3 meses. Exame físico: corado e hidratado, FR = 14 irpm, SpO2 92% em repouso; ausculta pulmonar com sons pulmonares reduzidos e sem ruídos adventícios; sem outras alterações. Solicitada espirometria, cujo resultado está representado na tabela.

A pegadinha é confundir gravidade espirométrica com indicação automática de corticoide ou oxigênio. Tratamento inalatório é guiado por sintomas, exacerbações e perfil para ICS.
Na tabela, VEF1/CVF pós-broncodilatador de 0,41 confirma obstrução persistente.
Sem exacerbações frequentes ou outra indicação de ICS, paciente sintomático se beneficia de LABA/LAMA.
SpO2 de 92% não preenche, sozinha, critério clássico de oxigenoterapia domiciliar prolongada.
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Contexto
A espirometria da imagem mostra padrão obstrutivo persistente: VEF1/CVF pós-broncodilatador de 0,41, claramente abaixo de 0,70. O VEF1 pós-broncodilatador é 48% do previsto, correspondente a obstrução importante, e praticamente não houve resposta aguda ao broncodilatador, pois o VEF1 passou apenas de 1,46 para 1,50 L. O GOLD 2026 mantém a necessidade de obstrução pós-broncodilatador para confirmar DPOC e orienta o tratamento farmacológico principalmente por sintomas e histórico de exacerbações.
O paciente está persistentemente sintomático após três meses de formoterol com budesonida, mas o enunciado não relata exacerbações frequentes, eosinofilia ou asma concomitante que justifiquem corticoide inalatório. Nesse cenário, o passo lógico é dupla broncodilatação com LABA e LAMA. Um broncodilatador de curta ação, como salbutamol, deve permanecer disponível para alívio.
SpO2 de 92% em repouso não basta para prescrever oxigenoterapia domiciliar prolongada. O GOLD utiliza como critérios clássicos PaO2 de até 55 mmHg ou saturação de até 88% em condição estável, ou PaO2 de 55 a 60 mmHg ou saturação em torno de 88% quando há hipertensão pulmonar, edema por insuficiência cardíaca direita ou policitemia. Hipoxemia limítrofe deve ser confirmada e contextualizada antes de indicar oxigênio crônico.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A troca de LABA com corticoide para LAMA/LABA oferece broncodilatação por mecanismos complementares e é adequada para DPOC sintomática sem indicação demonstrada de corticoide inalatório. Salbutamol permanece como medicação de resgate.
B) Incorreta. Manter formoterol com budesonida conserva um esquema que não controlou os sintomas e mantém corticoide inalatório sem que o caso demonstre exacerbações recorrentes, eosinofilia elevada ou asma associada.
C) Incorreta. Terapia tripla é considerada principalmente quando persistem exacerbações apesar de dupla broncodilatação e existe perfil favorável ao corticoide, especialmente por eosinófilos. Além disso, SpO2 de 92% isoladamente não indica oxigênio domiciliar.
D) Incorreta. A associação LAMA/LABA está correta, mas a oxigenoterapia domiciliar não está indicada apenas pela saturação de 92% apresentada.