Adolescente, 15 anos de idade, sofreu trauma na região orbitária durante uma partida de tênis que evoluiu com equimose e imobilidade quase completa do globo ocular. Exame físico: enoftalmia e rebordo orbitário íntegro à palpação.
A pegadinha é procurar fratura palpável no rebordo. No blow-out, o rebordo pode estar íntegro.
Diplopia ou restrição ocular após trauma sugerem encarceramento de músculo extraocular.
Em criança e adolescente, a fratura trapdoor pode parecer pequena na superfície e ainda assim encarcerar músculo de forma importante.
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Contexto
Trauma contuso direto sobre o globo pode aumentar abruptamente a pressão intraorbitária e romper uma parede fina da órbita sem fraturar o rebordo, produzindo a chamada fratura blow-out. As paredes mais vulneráveis são o assoalho e a parede medial. O conteúdo orbitário pode herniar para o seio maxilar ou etmoidal, e músculos extraoculares podem ficar encarcerados.
O achado que discrimina esse caso é a combinação de rebordo orbitário íntegro, enoftalmia e grande limitação da motilidade ocular. Em adolescentes, fraturas do tipo trapdoor podem encarcerar músculo com pouca deformidade óssea palpável. A tomografia de órbitas com cortes finos é o método de imagem de escolha quando se investiga extensão da fratura e encarceramento, embora a pergunta solicite apenas o diagnóstico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Fratura maxilar isolada costuma causar dor do terço médio, mobilidade, alteração de oclusão, equimose e outros sinais faciais. Não é a melhor explicação para enoftalmia com rebordo orbitário preservado.
B) Incorreta. Fratura de arco zigomático costuma produzir achatamento malar, dor e limitação da abertura oral por impacto sobre o processo coronóide. Pode coexistir com trauma orbitário, mas não explica tão diretamente o padrão descrito.
C) Incorreta. Fratura frontal compromete teto orbitário ou fronte e tende a produzir sinais superiores da órbita, deformidade ou degrau ósseo. O conjunto do caso aponta para uma parede interna fina da órbita.
D) Correta (gabarito). A fratura isolada da órbita interna, ou blow-out, preserva o rebordo e pode causar herniação de conteúdo orbitário, enoftalmia e encarceramento muscular com limitação dos movimentos oculares.