Menino, 2 meses de idade, nascido a termo, 3.750 g, Apgar 9/10, é trazido pela mãe que refere demora na cicatrização do coto umbilical, que caiu com um mês de vida. Apresenta saída recorrente de secreção achocolatada aerada pelo umbigo.
A pegadinha central é diferenciar os trajetos embrionários pela secreção: fezes e gás significam ducto onfalomesentérico; urina significa úraco.
Queda tardia do coto isoladamente é inespecífica. O tipo de secreção é o dado discriminador.
Onfalite é diagnóstico infeccioso e deve vir acompanhada de sinais inflamatórios locais, com ou sem repercussão sistêmica.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Durante o desenvolvimento embrionário, o ducto onfalomesentérico comunica o intestino médio com o saco vitelino e normalmente involui. Quando persiste de forma completa, mantém uma comunicação entre o íleo e o umbigo. O resultado típico é drenagem de conteúdo intestinal pelo umbigo, que pode ser amarronzado, fecaloide e conter gás. A presença de secreção aerada é o detalhe que praticamente fecha o raciocínio para comunicação enteroumbilical.
O diagnóstico diferencial mais importante é a persistência do úraco, que conecta a bexiga ao umbigo e produz saída de urina. Já onfalite produz inflamação local e secreção purulenta, enquanto granuloma umbilical costuma causar pequena drenagem serosa ou sanguinolenta após a queda do coto, sem gás e sem aspecto entérico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O úraco patente comunica a bexiga com o umbigo, portanto a drenagem esperada é urinária, não achocolatada e aerada.
B) Incorreta. Onfalite é infecção do umbigo e tecidos adjacentes, com hiperemia, calor, edema, dor e secreção purulenta, podendo evoluir com toxemia e sepse. Não explica conteúdo com gás de aspecto intestinal.
C) Correta (gabarito). A persistência completa do conduto onfalomesentérico mantém comunicação direta entre íleo e umbigo. A saída recorrente de secreção achocolatada e aerada é característica de conteúdo enteral.
D) Incorreta. Granuloma umbilical é tecido de granulação persistente após a queda do coto e costuma drenar pequena quantidade de líquido seroso ou sanguinolento. Não existe comunicação intestinal, portanto não há material fecaloide ou gás.