Síndromes hipertensivas da gestação

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Questão 55
UNIFESP · 2026

Parturiente, 20 anos de idade, primigesta, 33 semanas de idade gestacional, refere dor em baixo ventre e contrações há 5 horas, associada à cefaleia sem escotomas. Apresentou aumento da pressão arterial com 28 semanas, utilizando metildopa 500mg de 6 em 6 horas. Exame físico: PA 130 x 80mmHg, edema de membros inferiores 3+/4+, dinâmica uterina 3 contrações de 40 segundos em 10 minutos, apresentação cefálica e dorso a esquerda, cardiotocografia categoria I. Toque vaginal: colo com dilatação de 1 cm, grosso, posterior. Exames laboratoriais realizados há um dia: hemoglobina 11,2g/dL, Plaquetas 130.000 plaquetas/mm3, TGO 75 UI/L, Urina tipo 1 com proteinúria 2+/4+.

Qual é a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A gestante apresenta doença hipertensiva após 20 semanas com proteinúria e sinais de possível comprometimento orgânico. A TGO é 75 UI/L, valor que ultrapassa o ponto clássico de 70 UI/L usado em diversos protocolos brasileiros e, em muitos laboratórios, corresponde a aproximadamente duas vezes o limite superior da normalidade. Além disso, há cefaleia. Esses dados favorecem pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, mesmo que a pressão no momento esteja controlada pela metildopa e as plaquetas permaneçam em 130.000/mm3.

Em pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, sulfato de magnésio é usado para prevenção de eclâmpsia. Tocolíticos não devem ser usados para prolongar gestação na presença de doença materna grave. Antes de 34 semanas, manejo expectante pode ser considerado em centro terciário quando mãe e feto estão rigorosamente estáveis, com corticoterapia e vigilância intensiva, mas não se faz tocólise de rotina diante de critérios de gravidade. Se o trabalho de parto progride ou há piora materna, conduz-se o parto após estabilização.

O gabarito original informado também inclui a alternativa C, provavelmente por interpretação da paciente como pré-eclâmpsia sem gravidade e ameaça de parto prematuro. Porém, com a exigência de uma única resposta e considerando TGO de 75 UI/L e cefaleia como achados de gravidade, a alternativa B é a mais coerente com a abordagem atual.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Pré-eclâmpsia não determina cesariana por si só. Com feto cefálico, cardiotocografia categoria I e ausência de contraindicação obstétrica, a via vaginal pode ser permitida.

B) Correta (gabarito). Reconhece gravidade materna, indica sulfato de magnésio e não tenta suprimir contrações com tocolítico. A condução do parto depende da evolução clínica e obstétrica após estabilização.

C) Incorreta. Betametasona seria apropriada se houver risco de parto prematuro em até sete dias, mas nifedipino como tocolítico é inadequado quando há pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Tocolisar só faria sentido se a doença materna grave fosse afastada.

D) Incorreta. Sulfato de magnésio não é agente de primeira linha para tocólise. Seu papel é prevenção de convulsão na pré-eclâmpsia grave e neuroproteção fetal quando parto muito prematuro é iminente, conforme a idade gestacional.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é olhar apenas a PA atual. Pré-eclâmpsia pode ser grave por lesão de órgão-alvo mesmo com pressão temporariamente controlada.

  • TGO em torno de duas vezes o limite superior e cefaleia persistente são sinais de alerta para gravidade.

  • Tocolítico não deve ser usado para postergar parto quando existe indicação materna de resolução.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Síndromes hipertensivas da gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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