Mulher, 28 anos de idade, é atendida após episódio de uma semana de euforia, autoestima grandiosa, fala acelerada, redução da necessidade de sono, aumento da energia, ideias de investimento sem critério e comportamento de risco. O quadro levou a conflitos familiares e necessidade de afastamento do trabalho. Há dois anos, apresentou episódio depressivo de longa duração, com tristeza intensa, anedonia e insônia.
A pegadinha é usar a história de depressão para chamar de bipolar II. Se houve mania, o diagnóstico é bipolar I.
Mania dura pelo menos uma semana ou qualquer duração se exigir hospitalização e causa prejuízo importante.
Hipomania dura pelo menos quatro dias e não causa comprometimento funcional marcado nem psicose.
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Contexto
O DSM-5-TR define episódio maníaco como período de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável e aumento de energia ou atividade, durando pelo menos uma semana na maior parte do dia, quase todos os dias, ou por qualquer duração se houver necessidade de hospitalização. Devem estar presentes pelo menos três sintomas adicionais, ou quatro quando o humor é apenas irritável, como grandiosidade, redução da necessidade de sono, fala pressionada, fuga de ideias, distraibilidade, aumento de atividade e envolvimento em atividades de risco.
A paciente apresenta uma semana de euforia, grandiosidade, fala acelerada, pouco sono, aumento de energia, gastos ou investimentos imprudentes e prejuízo ocupacional e familiar. Isso configura mania, não hipomania. Um único episódio maníaco é suficiente para diagnosticar transtorno bipolar tipo I, mesmo que também exista episódio depressivo maior prévio.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Transtorno depressivo recorrente não comporta episódio maníaco. A presença de mania muda o diagnóstico para espectro bipolar.
B) Incorreta. Ciclotimia exige pelo menos dois anos de sintomas hipomaníacos e depressivos subclínicos, sem episódios completos de mania, hipomania ou depressão maior durante grande parte do curso exigido.
C) Incorreta. Bipolar II exige pelo menos um episódio hipomaníaco e um episódio depressivo maior, sem história de mania. Aqui há prejuízo funcional marcante e duração compatível com episódio maníaco.
D) Correta (gabarito). A paciente preenche critérios de mania e, por definição, isso estabelece transtorno bipolar tipo I.