Homem, 23 anos de idade, apresentou primeiro episódio de pneumotórax espontâneo à direita e foi submetido à drenagem pleural. Após expansão e resolução do pneumotórax recebeu alta com orientação para seguimento ambulatorial. Um ano depois apresentou quadro de pneumotórax espontâneo, agora à esquerda, primeiro episódio.
A pegadinha é contar apenas recorrências do mesmo lado. Primeiro pneumotórax contralateral já é indicação clássica para discutir cirurgia definitiva.
A cirurgia antirrecorrência costuma associar abordagem de blebs ou bolhas e pleurodese.
A BTS 2023 sustenta a indicação de cirurgia após o primeiro evento contralateral, mas não obriga que toda abordagem seja simultaneamente bilateral.
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Contexto
O paciente jovem teve um pneumotórax espontâneo à direita e, um ano depois, apresenta o primeiro episódio no hemitórax contralateral. A diretriz da British Thoracic Society de 2023 recomenda considerar cirurgia eletiva após o segundo pneumotórax ipsilateral ou o primeiro contralateral, porque esse padrão demonstra predisposição bilateral e risco relevante de recorrência.
O tratamento cirúrgico geralmente combina identificação e ressecção de bolhas ou blebs, quando presentes, com algum método de pleurodese, frequentemente por videotoracoscopia. A banca traduz a ocorrência contralateral como indicação de abordagem definitiva bilateral. Na prática, a extensão exata da cirurgia, inclusive se os dois hemitórax serão tratados no mesmo tempo, é individualizada conforme achados tomográficos, histórico, risco ocupacional, preferência e experiência do serviço. O ponto incontornável da questão é que não se deve simplesmente aguardar outra recorrência.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O primeiro pneumotórax contralateral já é um marco aceito para considerar prevenção cirúrgica de recorrência. Esperar um novo episódio expõe o paciente a um evento previsível e potencialmente grave.
B) Correta (gabarito). A alternativa propõe tratamento definitivo com bulectomia e pleurodese nos dois hemitórax, coerente com a lógica da prova de que doença espontânea já se manifestou bilateralmente e não deve ser tratada apenas de forma expectante.
C) Incorreta. Drenar e fazer pleurodese somente à esquerda trata o episódio atual e reduz recorrência desse lado, mas não contempla a estratégia bilateral proposta pelo gabarito diante do histórico de pneumotórax em ambos os hemitórax.
D) Incorreta. Pleurodese à direita não resolve de forma definitiva o lado esquerdo, que é o hemitórax atualmente acometido. A alternativa é anatomicamente incoerente com o evento atual.