Adolescente, 16 anos de idade, relata dismenorreia incapacitante com perda escolar recorrente desde a menarca aos 12 anos de idade. Já fez uso de vários antiinflamatórios não hormonais, analgésicos e anticoncepcional oral combinado cíclico por 6 meses, com pouca resposta. Nega início de vida sexual. Exame físico: abdome doloroso em hipogástrio. Ultrassonografia abdominal e pélvica sem alterações.
A pegadinha é achar que imagem normal exclui endometriose. Endometriose superficial pode não aparecer na ultrassonografia.
Na adolescente, tratamento hormonal empírico e supressão menstrual costumam preceder laparoscopia.
Dor incapacitante que não responde a AINE e terapia hormonal merece investigação e seguimento, não normalização como “cólica da idade”.
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Contexto
Dismenorreia incapacitante desde a adolescência, com faltas escolares e resposta inadequada a anti-inflamatórios e anticoncepcional combinado cíclico, levanta forte suspeita de endometriose. Em adolescentes, ultrassonografia normal não exclui endometriose superficial. O diagnóstico pode permanecer clínico e o tratamento hormonal empírico é apropriado antes de recorrer a cirurgia.
A estratégia seguinte é promover supressão menstrual mais consistente, por exemplo com progestagênio contínuo. O objetivo é reduzir estimulação hormonal do tecido endometriótico, diminuir sangramento e reduzir prostaglandinas e inflamação. Laparoscopia pode ser considerada quando dor persiste apesar de tratamento clínico adequado, quando existe dúvida diagnóstica importante ou quando há suspeita de doença que exija intervenção.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Progestagênio contínuo oferece supressão menstrual e é uma opção adequada de segunda etapa após resposta insuficiente ao esquema combinado cíclico.
B) Incorreta. Ressonância pode mapear endometriose profunda, mas não exclui doença superficial e não é necessária como próximo passo em uma adolescente com ultrassom normal e quadro clínico típico.
C) Incorreta. Videolaparoscopia é invasiva e não precisa anteceder nova tentativa de tratamento hormonal. Ela ganha importância após falha persistente da terapia clínica ou em situações selecionadas.
D) Incorreta. Tomografia tem baixa sensibilidade para endometriose pélvica e ainda expõe a adolescente a radiação sem vantagem diagnóstica relevante.