Menino, 3 anos de idade, sabidamente alérgico ao leite de vaca, apresenta vômitos recorrentes, urticária e tosse após ingestão acidental de leite. Recebe adrenalina intramuscular no serviço de emergência, evoluindo satisfatoriamente, com regressão total dos sintomas.
A pegadinha é achar que a melhora após adrenalina encerra o atendimento. Anafilaxia exige observação após resolução.
Antihistamínicos tratam pele; não tratam choque nem broncoespasmo grave.
Corticoide não é recomendado rotineiramente para prevenir reação bifásica, apesar de aparecer no gabarito desta questão.
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Contexto
Vômitos, urticária e tosse após ingestão de leite configuram anafilaxia porque há comprometimento simultâneo de mais de um sistema após exposição a alérgeno conhecido. A adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha. Após resposta completa, o risco imediato passa a ser recorrência, inclusive reação bifásica, e por isso é necessário um período de observação cuja duração depende da gravidade inicial, necessidade de doses repetidas de adrenalina, comorbidades e acesso a atendimento.
O gabarito C associa observação por seis horas a corticoide oral. Diretrizes contemporâneas não recomendam corticoide de rotina para prevenir reação bifásica, porque a evidência de benefício é insuficiente. Portanto, deve-se manter o gabarito da questão pela parte central correta, que é observar após anafilaxia, mas reconhecer que o uso rotineiro de corticoide está desatualizado. Na alta, a criança deve receber plano de ação, orientação de evicção, encaminhamento para alergologia e, quando disponível e indicado, autoinjetor de adrenalina.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Anti-histamínico pode aliviar urticária residual, mas não previne recorrência grave e não justifica internação obrigatória em todo paciente que respondeu prontamente à adrenalina.
B) Incorreta. IgE específica pode ser investigada posteriormente, em ambiente ambulatorial. Corticoide intravenoso não é necessário após resolução completa e não substitui observação.
C) Correta (gabarito). A observação por algumas horas após anafilaxia tratada é apropriada devido ao risco de reação bifásica. A parte referente ao corticoide oral reflete prática antiga e não é recomendada rotineiramente pelas diretrizes atuais.
D) Incorreta. Alta imediata após anafilaxia é inadequada porque não permite observar recorrência precoce. Anti-histamínico não previne comprometimento respiratório ou cardiovascular.