Mulher, 66 anos de idade, sexualmente ativa, em novo relacionamento, encontra-se assintomática. Refere ter realizado anualmente exame citológico cérvico-vaginal preventivo sem alterações. De acordo com as Diretrizes Brasileiras atuais para o rastreamento para o câncer do colo uterino,
Pegadinha central: citologias antigas repetidamente normais não substituem o teste de saída exigido pela estratégia atual baseada em DNA-HPV.
DNA-HPV oncogênico negativo permite intervalo de 5 anos e, quando obtido após os 60 anos em paciente de risco padrão, pode encerrar o rastreamento.
Novo parceiro sexual não muda sozinho a periodicidade; o que fecha a questão é a ausência de DNA-HPV prévio após os 60 anos.
Em prova recente, compare sempre a regra antiga da citologia com a mudança de 2025: DNA-HPV passou a ser o rastreamento primário.
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Contexto
As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero de 2025 mudaram o método primário de rastreamento: o exame de escolha passou a ser o teste molecular para DNA-HPV oncogênico, e não mais a citologia isolada. Para a população de risco padrão, um teste de DNA-HPV negativo permite intervalo de cinco anos, porque sua sensibilidade e seu valor preditivo negativo para lesões precursoras de alto grau são superiores aos da citologia.
O ponto que discrimina este caso é a regra de encerramento do rastreamento. A diretriz recomenda encerrar o rastreamento com DNA-HPV quando houver um teste de DNA-HPV oncogênico negativo realizado após os 60 anos. Em pessoas com mais de 60 anos que ainda não fizeram teste molecular previamente, recomenda-se realizar pelo menos um teste de DNA-HPV; se ele for negativo, o rastreamento pode ser encerrado. Portanto, várias citologias anuais normais no passado não substituem, dentro da nova estratégia, esse teste molecular de saída.
O novo relacionamento sexual chama atenção para possível nova exposição ao HPV, mas não é o critério principal que define a conduta. A razão decisiva é que a paciente tem 66 anos e não há informação de teste prévio de DNA-HPV após os 60 anos. Situações como imunossupressão ou antecedente de tratamento de NIC 2, NIC 3 ou adenocarcinoma in situ seguem regras próprias e podem exigir rastreamento prolongado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A citologia a cada três anos corresponde ao modelo citológico tradicional e ainda pode ser usada onde o teste molecular não está disponível, mas não é a melhor resposta diante das Diretrizes Brasileiras de 2025, que adotaram o DNA-HPV oncogênico como método primário. Nesta paciente com mais de 60 anos e sem teste molecular prévio informado, o passo que define a possibilidade de encerrar o rastreamento é o DNA-HPV.
B) Correta (gabarito). A paciente tem 66 anos e histórico de citologias normais, porém não há registro de teste de DNA-HPV após os 60 anos. A nova diretriz recomenda realizar o teste molecular nessa situação; se o resultado for negativo, o rastreamento de risco padrão pode ser encerrado. O teste, portanto, funciona aqui como avaliação final de saída do programa de rastreamento.
C) Incorreta. Citologia anual é sobrerrastreamento para mulheres de risco padrão. Mesmo no modelo citológico anterior, após dois exames anuais negativos, o intervalo recomendado passava a ser de três anos. Com a estratégia atual baseada em DNA-HPV, um resultado molecular negativo permite intervalo ainda maior, de cinco anos, e pode autorizar o encerramento após os 60 anos conforme os critérios da diretriz.
D) Incorreta. Não se deve simplesmente interromper o rastreamento apenas porque a paciente ultrapassou 64 ou 65 anos. Na estratégia brasileira atual baseada em teste molecular, a saída segura do rastreamento de risco padrão depende de um DNA-HPV negativo após os 60 anos. Como esse dado não existe no enunciado, ainda falta realizar o teste.